quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Top 20 2013

1 - Dentro da Casa (Dans la maison) de François Ozon
2 - Django Livre (Django Unchained) de Quentin Tarantino
3 - A Grande Beleza (La Grande Bellezza) de Paolo Sorrentino
4 - Antes da Meia-noite (Before Midnight) de Richard Linklater
5 - Um Estranho no Lago (L'inconnu du lac) de Alain Guiraudie
 
  
6 - Tabu de Miguel Gomes
7 - Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2) de Abdellatif Kechiche
8 - Gravidade (Gravity) de Alfonso Cuarón
9 - Frances Ha de Noah Baumbach
10 - Killer Joe - Matador de Aluguel (Killer Joe) de William Friedkin

11 - Amor (Amour) de Michael Haneke
12 - Barbara de Christian Petzold
13 - O Mestre (The Master) de Paul Thomas Anderson
14 - Blue Jasmine de Woody Allen
15 - Os Suspeitos (Prisoners) de Denis Villeneuve 

16 - O Som ao Redor de Kleber Mendonça Filho
17 - A Caça (Jagten) de Thomas Vinterberg
18 - Segredos de Sangue (Stoker) de Park Chan-wook
19 - Invocação do Mal (The Conjuring) de James Wan
20 - É o Fim (This is the End) de Seth Rogen e Evan Goldberg


sábado, 7 de setembro de 2013

Hitchcock



Já se passaram três semanas que eu assisti Hitchcock (2012) e por isso, posso deixar de comentar algo importante sobre o filme. Vou tentar puxar ao máximo da memória, a impressão deixada logo após assistir à obra.

Cinebiografias em sua maioria, dão sempre panos pra manga, no que diz respeito à apresentação dos retratados. Chovem reclamações sobre exageros ou ausência de certos fatos importantes relacionados à personalidade daquele determinado personagem. Aqui não foi diferente. No entanto, talvez pelo fato de retratar o meu diretor favorito de todos os tempos, eu achei o saldo final bem positivo. Com todas as suas falhas, o filme dirigido por Sacha Gervasi, tem uma fluidez deliciosa que faz a hora passar rápido.

O roteiro baseado no livro Alfred Hitchcock And The Making Of Psycho, narra como o própio título do livro aponta, os bastidores de Psicose, um dos melhores filmes do mestre e um dos mais importantes da história do cinema. Além de ser objeto de estudo para muitos cineastas.

O filme começa com Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins) na premiere de seu último filme: o também importante Intriga Internacional acompanhado da sua esposa e companheira de sempre Alma (Helen Mirren). Nesse período, o diretor estava à procura de um trabalho mais ousado e diferente daquilo que havia feito até então. A busca acabou assim que ele leu o livro Psicose de Robert Bloch. Daí pra frente companheiros, começa uma batalha diária do diretor para convencer o estúdio e os censores à realizar o filme a seu bel prazer. Nesse meio tempo, verificamos alguns distúrbios no relacionamento do gordinho com sua esposa e até uma certa desconfiança de que Alma lhe estivesse colocando chifres. No entanto, percebemos a importância da sua esposa em todo o processo de criação do filme. que cresce no seu belíssimo final.

É claro que a maquiagem de Hopkins ajuda bastante na caracterização do personagem. Porém, achei sua atuação bem discreta. Quem está muito bem no filme é Helen Mirren. Já Scarlett Johansson aparece apenas em cenas pontuais interpretando Janet Leigh, assim como James D'Arcy que está a cara de Anthony Perkins. Uma grande surpresa é a presença de Ralph Macchio (Karatê Kid) interpretando o roteirista Joseph Stefano.

Hitchcock pode ter seus problemas, mas como já havia dito, sou fã de carteirinha do diretor e o filme me pegou pelo coração. Nota 8. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Tabu


Demorei um pouco para escrever sobre Tabu (2012), pois pretendia assistir novamente com o intuito de captar um pouco mais desse grandioso filme dirigido pelo português Miguel Gomes, que já abocanhou prêmios importantes e um grande reconhecimento por parte do público e da crítica. Como não foi possível ainda rever essa maravilha, vou comentar sobre o que ficou registrado na minha mente.

Tabu se divide em duas partes: Paraíso Perdido e Paraíso (sua relação com o cinema de F.W. Murnau se faz presente). Além de um prólogo, onde vemos um explorador português na Àfrica sofrendo ao tentar em vão, ocupar seu tempo para tentar suportar a morte da sua esposa. Ao final, ele se deixa ser engolido por um crocodilo, para logo em seguida, incorporar o animal e ficar ao lado do fantasma de sua mulher. Ficamos sabendo que essas imagens iniciais pertencem à um filme visto por Pilar (Teresa Madruga) num cinema que por sua vez, se encontra bastante envolvida com toda aquela história. É quando entra a primeira parte (Paraíso Perdido) onde conhecemos também Aurora (Laura Soveral), uma solitária senhora que divide um apartamento em Lisboa com Santa (Isabel Muñhoz Cardoso), sua empregada cabo-verdiana com quem vive um relacionamento de muita desconfiança. Pilar é vizinha de Aurora e as duas acabam ficando amigas. Aos poucos, o passado de Aurora vem à tona, e a partir desse ponto, dá início a segunda parte da história (Paraíso). Não vou adentrar em mais detalhes. Para os que gostam de um filme que foge completamente dos padrões hollywoodianos, eis um belíssimo exemplar. 

É necessário assistir mais de uma vez para absorver outras nuances da obra. Mas o que pude verificar, é a relação entre o passado longínquo das personagens e o melancólico presente. Um presente que sofre ao saber que o passado jamais irá se repetir e que vai existir somente na memória. Pode-se fazer até mesmo uma comparação com a situação atual de Portugal (e de outros países da Europa) com outras épocas.

O que mais impressiona na obra de Gomes é justamente a forma como ele apresenta a história. A segunda parte onde é descortinado o passado de Aurora, é todo narrado e sem diálogo algum. Lembra a boa época do cinema mudo, onde as expressões dos atores diziam mais que qualquer palavra.

A fotografia em preto e branco é um show à parte em todo o filme e faz um casamento perfeito com a cuidadosa edição.

O que dizer mais? Só revendo para tentar pescar algo que passou despercebido num primeiro momento. Algo tão comum em uma obra que é desde já, um forte candidato à melhor do ano. Nota 10.




domingo, 14 de julho de 2013

Detona Ralph (Wreck-It Ralph)


Não é preciso ser um aficionado por videogames para gostar de Detona Ralph (2012). Mas é claro que a baba poderá escorrer, se esse for o seu caso. Principalmente após as aparições de diversos personagens e às inúmeras referências de jogos. Pac-Man, Sonic, Zangief, Ryu e muitos outros marcam presença. No entanto, a grande força da animação dirigida por Rich Moore está na forma como o roteiro foi desenvolvido e principalmente nas questões que ele aborda. Além de um excelente visual, como não poderia deixar de ser.

Toda a trama se passa dentro dos jogos eletrônicos em uma casa repleta de fliperamas que se conectam entre si, onde ocorre a interação dos diversos personagens. Um deles é Ralph (John C. Reilly), o vilão do jogo Conserta Félix Jr. que destrói tudo que vê pelo caminho. Já Fix-It Felix (Jack McBryer), é o mocinho que conserta tudo com seu martelo mágico. Após o fechamento da casa, é descortinado todo o universo dos bastidores desses jogos apresentando o cotidiano desses personagens. Principalmente de Ralph, que  cansado de se sentir excluído e injustiçado pelos outros, almeja conseguir uma medalha que é concedida somente aos heróis. Para isso, ele acaba invadindo outros dois jogos onde irá conhecer personagens importantes na trama, como a Sargento Calhoun (Jane Lynch) e Vanellope von Schweetz (Sarah Silverman).

Como eu já havia dito, o filme tem um visual deslumbrante que na minha opinião alcança o seu ápice, quando Ralph adentra o colorido jogo Corrida Doce. É nesse ambiente que ele conhece a menina Vanellope que também sofre rejeição. Um fato curioso é que Rich criou essa personagem inspirado num livro escrito por Sarah Silverman,que em seguida aceitou o convite do diretor para fazer a voz da Vanellope.

Ao meu ver, o filme perde um pouco a sua fluidez lá pela metade e só retorna com força total lá pelo seu final empolgante. Uma dica é assistir os créditos finais com aparições de vários jogos.

Uma das cenas mais bacanas acontece próximo ao início envolvendo uma reunião com vários vilões, onde eles discutem sobre suas própias condições.

Se vale a pena assistir? Com toda a certeza e principalmente pela sua mensagem extremamente relevante que agrada crianças e adultos. Agora preciso terminar o texto e assistir outro filme. Game Over. Nota 7.


sábado, 6 de julho de 2013

Rio Vermelho (Red River)


É deveras estimulante ter a certeza sobre a existência de diversos filmes maravilhosos ainda inéditos para este que vos escreve. Nessa semana tive a oportunidade de assistir Rio Vermelho (1948), que é um clássico bangue-bangue dirigido de forma magnífica pelo grande Howard Hawks e também por Arthur Rosson. Gostaria antes de mais nada, agradecer ao amigo Conrado que é um grande conhecedor dos filmes de faroeste e me emprestou essa preciosidade. Valeu xerife!

O filme apresenta a jornada de Thomas Dunson (John Wayne) na busca de novas terras para a criação do seu gado. Juntamente com seu amigo `Groot` (Walter Brennan) e o jovem Matthew (Montgomery Clift), conseguem obter sucesso com seu rebanho. Com o passar dos anos e após a  guerra civil, a crise chega e o dinheiro seca, forçando Dunson à procurar novos ares. Ele decide depois de coletar várias informações, que a melhor opção é chegar até Missouri após atravessar o rio. Mas, como viajar vários quilômetros com aquela quantidade enorme de animais? Com ajuda de vários homens, ele inicia a missão. Com o tempo, vários problemas vão acontecendo durante o trajeto, aumentando ainda mais as desavenças entre aqueles homens. Dunson por sua vez, torna-se mais autoritário e rude com as pessoas que o cercam. Na minha opinião, é justamente nesses conflitos internos que o filme cresce, mostrando até onde uma pessoa pode ir para conseguir alcançar seu objetivo.

Prefiro não entrar em mais detalhes para não estragar as surpresas de quem ainda não assistiu. O que posso afirmar é que o filme possui uma fluidez que não se encontra em qualquer esquina. Prende a nossa atenção do início ao fim graças ao excelente roteiro e principalmente da maravilhosa edição.

O que dizer de John Wayne? Um papel de um personagem ambíguo que caiu como uma luva para ele. Montgomery Clift também está muito bem no seu primeiro filme. Aliás, por falar em Clift, seu personagem no filme aparentemente é homossexual e isso fica implícito na maneira que ele faz um elogio à arma de um outro pistoleiro. Lembrando que o ator era gay na vida real.

Fico imaginando o trabalho árduo de dirigir com todos aqueles animais. Hawks por sua vez, deve ter se especializado nesse ramo, já que realizou Hatari!, outro filme com diversos bichos.

Só não gostei muito do desfecho. Porém , esse fato em nada tira a grandiosidade desse trabalho que merece ser visto e revisto sempre. Nota 9.





segunda-feira, 24 de junho de 2013

Antes da Meia-Noite (Before Midnight)


Cheguei por volta das 13:50 na Estação Rio em Botafogo para assistir um dos filmes mais aguardados por este que vos escreve. Lá estava eu preparado para assistir a sessão das 14:30 de Antes da Meia-Noite (2013), quando me deparei com uma fila do lado de fora do cinema. Percebi que o local estava fechado e fui verificar o motivo: toda a Voluntários da Pátria estava sem luz segundo informações da funcionária. Eu estava começando a ficar puto com toda a situação. Voltei para a fila na esperança da luz dar o ar da graça. Passou-se 15 minutos e pude ouvir algumas pessoas na fila comemorando. Ou seja? Valeu a pena esperar.

Foi maravilhoso passar a tarde de Domingo com Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy). E mesmo que esse terceiro longa do diretor Richard Linklater seja um pouco inferior aos anteriores, mesmo assim é sensacional. Ainda mais para quem está íntimo do casal. Sim, digo isso pois já assisti zilhões de vezes Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol.

Vários elementos dos longas anteriores estão presentes, incluindo os diálogos filosóficos sobre relacionamentos e principalmente sobre o tempo. Ao meu ver, o tempo é a espinha dorsal de toda a conversa do casal. Vocês lembram no primeiro filme, o argumento de Jesse para convencer Celine à descer do trem? Pois bem. Não sei se outros espectadores fizeram essa conexão, mas melhor parando por aqui para não estragar as surpresas.

A história inicia com Jesse no aeroporto despedindo-se de seu filho (Seamus Davey-Fitzpatrick) do primeiro casamento. Ambos estavam curtindo as férias juntos na Grécia. Fica clara a melancolia nessa cena e percebemos a preocupação do pai em estar mais presente na vida do menino. Essa cena logo de cara já mexeu bastante comigo. Em seguida ele retorna para seu veículo onde se encontra com Celine e as gêmeas. Daí pra frente nos damos conta de que muita coisa mudou. Jesse e Celine estão casados há algum tempo e possuem duas filhas para criar. Celine por sua vez, está em dúvidas se aceita ou não trabalhar para o governo. Já na cena do carro, percebemos a diferença na relação dos personagens, pois já caíram naquela fase de rotina que atinge a maioria dos casais.

Todas as cenas possuem importância na trama até para situar alguns fragmentos da história dos protagonistas. Como por exemplo na cena do almoço em conversa com outros casais e amigos. Logo em seguida, Jesse e Celine caminham durante um longo tempo até chegar em um quarto de um motel, onde os sentimentos estarão à flor da pele, culminando em uma grande discussão. A impressão é que estamos juntos naquele quarto, torcendo para tudo acabar bem entre os dois.

Achei linda e ao mesmo tempo melancólica a cena de ambos observando o pôr-do-sol no horizonte.

Quando o filme acaba, dá uma vontade imensa de voltar no tempo e assistir tudo novamente. Nota 9.




segunda-feira, 3 de junho de 2013

Quatro Amigas e um Casamento (Bachelorette)


Surfando na onda de Se Beber não Case e Missão Madrinha de Casamento, vem esse Quatro Amigas e um Casamento (2012), filme de estréia da diretora Leslye Headland, que também assina o roteiro. Tive que citar os outros filmes, pois todos tem o casamento como pano de fundo e situações absurdas envolvendo pessoas chapadas.

Na trama, as quatro amigas irão se encontrar novamente por causa do casamento de uma delas. As três descobrem que Becky (Rebel Wilson) a menos popular da turma, vai se casar justamente com o cara que era o mais cobiçado na época do colégio. Esse fato, causa uma certa ponta de inveja entre as meninas que ainda são convidadas para serem damas de honra no casamento. Regan (Kirsten Dunst), Gena (Lizzy Caplan) e Katie (Isla Fisher) aceitam o convite e passam a noite anterior usando drogas e discutindo sobre solteirice. Após algumas inconsequentes brincadeiras, elas se metem em uma enrascada atrás da outra que podem aniquilar com o casamento de Becky. Daí pra frente é uma corrida contra o tempo para colocar tudo nos eixos.

Se for para comparar com Missão Madrinha de Casamento, esse perde feio. Em vários momentos, não achei graça alguma e o roteiro parece ficar meio perdido. Achei que o filme ganha certo fôlego quando chega perto do final. Mas aí já é tarde demais.

Apesar do título nacional citar as quatro amigas, o foco está nas três encalhadas. Todas muito bem interpretadas por sinal.  Achei a personagem de Rebel Wilson pouco explorada na trama.

Temos também a participação de James Marsden, que tem a fama de na maioria das vezes interpretar personagens que não acabam bem na história. E aqui de certa forma, esse fato se repete, apesar de uma cena quente com a personagem de Kirsten Dunst.

Minha esposa também não achou lá aquelas coisas e no final das contas, tivemos a mesma opinião sobre o filme. Nota 5.