domingo, 31 de maio de 2015

Mulher Nota 1000 (Weird Science)



Lembro da última vez que assisti Mulher Nota 1000 (1985): era um moleque ainda deslumbrado com o videocassete e sem entender a proposta do genial John Hughes. Achei aquilo tudo uma loucura e não consegui prestar atenção direito no filme. Lembro também que estava assistindo junto com o meu padrinho Ricardo, com quem assisti diversos filmes dos anos 80.

Depois de todos esses anos e conversas com amigos sobre os filmes produzidos nessa década, decidi revisitar essa obra que obviamente se revelou de uma outra forma. Principalmente depois de conhecer a marca dos filmes de John Hugues. Muitos elementos caros ás obras do diretor estão presentes aqui como por exemplo: a dificuldade de comunicação entre pais e filhos e a insegurança na fase da adolescência.

Somos apresentados aos adolescentes Gary (Anthony Michael Hall) e Wyatt (Ilan Mitchel-Smith) que sofrem todos os tipos de bullying no dia a dia e que fantasiam ter um mínimo de popularidade com as meninas e colegas da escola. Até que um dia, após assistirem um filme de Frankenstein na televisão, decidem criar uma mulher perfeita no computador. Só que um incidente com um raio, transforma toda a casa num verdadeiro caos e a mulher virtual se transforma em uma mulher de carne e osso com poderes. A partir daí, os meninos - que deram à mulher o nome de Lisa (Kelly LeBrock), -  irão se deparar com situações que os ajudarão a encontrar a principal razão dos seus conflitos.

O roteiro escrito por John Hugues tem uma boa liga e talvez peque pelo excesso de absurdos da trama. Algumas piadas funcionam mais do que outras. Mas nada que comprometa o resultado como um todo, já que a proposta é embarcar na doideira científica para demonstrar o caos interior dessa fase tão difícil na vida de cada um de nós que é a adolescência. Sobra até uma dose de ironia na trama: na cena em que Lisa, após dar uma lição de vida para os garotos,  percebe um artefato importante da guerra fria surgindo do chão e em sua ponta pousa uma pomba branca.

Todo o trabalho de direção de arte condiz bem com a época. Assim como os figurinos, a maquiagem exagerada e os cabelos por vezes espalhafatosos da belíssima Kelly LeBrock. A trilha sonora também vai pelo mesmo caminho.

Não tem nenhuma atuação de destaque dos atores. É curioso ver o "Homem de Ferro"  Robert Downey Jr. novinho e sem ser creditado com o Jr.

Mulher Nota 1000 aborda temas importantes no bom estilo de Hughes e estimula a criação do nosso "Frankenstein interior" que pode dar certo. Nota 8


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Top 20 2014

1  - O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street) de Martin Scorsese
2 - Relatos Selvagens (Relatos Salvajes) de Damián Szifron
3 - Boyhood - Da Infância à Juventude (Boyhood) de Richard Linklater
4 - Garota Exemplar (Gone Girl) de David Fincher
5 - Ela (Her) de Spike Jonze










6 - Oslo, 31 de Agosto (Oslo, 31. August) de Joachim Trier
7 - Ninfomaníaca - Volume 1 (Nymphomaniac : Volume I) de Lars von Trier
8 - Ninfomaníaca - Volume 2 (Nymphomaniac : Volume II) de Lars von Trier
9 - O Lobo Atrás da Porta de Fernando Coimbra
10 - Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis) de Ethan Coen e Joel Coen










11 - 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave) de Steve McQueen
12 - Sob a Pele (Under the Skin) de Jonathan Glazer
13 - Guardiões da Galáxia (Guardians Of The Galaxy) de James Gunn
14 -  O Home Duplicado (Enemy) de Denis Villeneuve
15 - Noé (Noah) de Darren Aronofsky










16 - Frozen - Uma Aventura Congelante (Frozen) de Chris Buck e Jennifer Lee
17 - Se Eu Ficar (If I Stay) de R.J. Cutler
18 - Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive) de Jim Jarmusch
19 - O Abutre (Nightcrawler) de Dan Gilroy
20 - O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel) de Wes Anderson

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A Culpa é das Estrelas (The Fault In Our Stars)


Olá macacada! É com imensa satisfação que, após um longo período "no casulo" (mais uma vez), uma nova metamorfose aconteceu e eis que a borboleta retorna cada vez mais encorpada e precisando exercitar para uma polinização mais frequente. E a polinização de hoje, consiste em um filme que é uma febre entre o público juvenil, baseado no livro homônimo de John Green: A Culpa é das Estrelas (2014).

O filme aborda um tema bastante recorrente em várias obras: o câncer e suas consequências em personagens que se apaixonam. (Não, não estou cometendo spoiler, já que essa informação você vai encontrar em qualquer sinopse do filme). Confesso que fiquei bastante surpreso após a exibição, pois esperava uma história repleta de clichês, forçando o choro à qualquer custo. E isso não me ocorreu, tirando uma ou duas cenas no máximo. (Não, eu não sou insensível). É óbvio que o filme trata de um assunto espinhoso e não tem como ficar indiferente à tudo que se vê. No entanto, o grande mérito é justamente a leveza como é transmitida toda essa tragédia. Palmas para o roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber que conseguem dar uma excelente fluidez ao filme. Roteiro esse muito bem sublinhado pelas fortes atuações de seus protagonistas que tornaram tudo mais crível.

A trama nos apresenta Hazel (Shailene Woodley), uma jovem com câncer em estado terminal que aparentemente se conforma com sua condição. Seu pai (Sam Trammel) e principalmente sua mãe (Laura Dern), tentam de todas as formas, trazer um frescor à vida que resta à Hazel. Ambos conseguem convencê-la a frequentar um grupo de apoio. Lá, entre tantas pessoas em condições parecidas, ela conhece Augustus (Ansel Elgort), um rapaz sem uma perna e que se encontra momentaneamente com a doença controlada. Augustus (também conhecido como Gus) se apaixona loucamente por Hazel logo de cara. Essa por sua vez, fica com um pé atrás devido à problemática da sua morte iminente e do consequente sofrimento de quem a cerca. Aos poucos, Gus vai apresentando novas perspectivas à Hazel seja apresentando livros com mensagens positivas, seja através de atitudes que fazem Hazel refletir sobre a vida. Há momentos encantadores com os dois em cena e divertidíssimos. Principalmente quando entra em cena o amigo de Gus, Isaac (Nat Wolff), um rapaz com problemas crescentes na visão, mas que traz um alívio cômico em algumas cenas. Aliás, o filme oscila muito bem entre o humor e a tragédia. Sempre que um personagem esbanja algum tipo de alegria, algo o faz lembrar da situação real e daí a tristeza retorna com força. mas como eu comentei anteriormente, o filme transmite leveza em meio ao turbilhão de problemas sem apelar para a emoção barata. A busca dos personagens por recursos para aliviar o peso de suas condições é algo bem recorrente. O momento de maior emoção pra mim foi o ensaio do funeral de um dos personagens que me deixou com um nó na garganta daqueles. E tudo fica bem dimensionado com o trabalho da montagem e do roteiro. Sem falar nas excelentes atuações. Outro que não posso deixar de citar aqui é o personagem Peter Van Houten (Willem Dafoe), um escritor bastante aborrecido e amargurado com a vida, que tem importância na trama.

O diretor Josh Boone consegue realizar um trabalho simples com a câmera sem utilizar muitos recursos. Gostei de algumas tomadas, principalmente o plano inicial e final com a câmera se aproximando do rosto de Hazel informando algo fundamental à essência de toda obra. Senti falta de uma maior ousadia nesse quesito.

A Culpa é das Estrelas tem seus problemas, mas suas virtudes acabam pesando mais. Encerro esse texto com uma simples e pequena palavra: Ok. Nota 7




quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Top 20 2013

1 - Dentro da Casa (Dans la maison) de François Ozon
2 - Django Livre (Django Unchained) de Quentin Tarantino
3 - A Grande Beleza (La Grande Bellezza) de Paolo Sorrentino
4 - Antes da Meia-noite (Before Midnight) de Richard Linklater
5 - Um Estranho no Lago (L'inconnu du lac) de Alain Guiraudie
 
  
6 - Tabu de Miguel Gomes
7 - Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2) de Abdellatif Kechiche
8 - Gravidade (Gravity) de Alfonso Cuarón
9 - Frances Ha de Noah Baumbach
10 - Killer Joe - Matador de Aluguel (Killer Joe) de William Friedkin

11 - Amor (Amour) de Michael Haneke
12 - Barbara de Christian Petzold
13 - O Mestre (The Master) de Paul Thomas Anderson
14 - Blue Jasmine de Woody Allen
15 - Os Suspeitos (Prisoners) de Denis Villeneuve 

16 - O Som ao Redor de Kleber Mendonça Filho
17 - A Caça (Jagten) de Thomas Vinterberg
18 - Segredos de Sangue (Stoker) de Park Chan-wook
19 - Invocação do Mal (The Conjuring) de James Wan
20 - É o Fim (This is the End) de Seth Rogen e Evan Goldberg


sábado, 7 de setembro de 2013

Hitchcock



Já se passaram três semanas que eu assisti Hitchcock (2012) e por isso, posso deixar de comentar algo importante sobre o filme. Vou tentar puxar ao máximo da memória, a impressão deixada logo após assistir à obra.

Cinebiografias em sua maioria, dão sempre panos pra manga, no que diz respeito à apresentação dos retratados. Chovem reclamações sobre exageros ou ausência de certos fatos importantes relacionados à personalidade daquele determinado personagem. Aqui não foi diferente. No entanto, talvez pelo fato de retratar o meu diretor favorito de todos os tempos, eu achei o saldo final bem positivo. Com todas as suas falhas, o filme dirigido por Sacha Gervasi, tem uma fluidez deliciosa que faz a hora passar rápido.

O roteiro baseado no livro Alfred Hitchcock And The Making Of Psycho, narra como o própio título do livro aponta, os bastidores de Psicose, um dos melhores filmes do mestre e um dos mais importantes da história do cinema. Além de ser objeto de estudo para muitos cineastas.

O filme começa com Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins) na premiere de seu último filme: o também importante Intriga Internacional acompanhado da sua esposa e companheira de sempre Alma (Helen Mirren). Nesse período, o diretor estava à procura de um trabalho mais ousado e diferente daquilo que havia feito até então. A busca acabou assim que ele leu o livro Psicose de Robert Bloch. Daí pra frente companheiros, começa uma batalha diária do diretor para convencer o estúdio e os censores à realizar o filme a seu bel prazer. Nesse meio tempo, verificamos alguns distúrbios no relacionamento do gordinho com sua esposa e até uma certa desconfiança de que Alma lhe estivesse colocando chifres. No entanto, percebemos a importância da sua esposa em todo o processo de criação do filme. que cresce no seu belíssimo final.

É claro que a maquiagem de Hopkins ajuda bastante na caracterização do personagem. Porém, achei sua atuação bem discreta. Quem está muito bem no filme é Helen Mirren. Já Scarlett Johansson aparece apenas em cenas pontuais interpretando Janet Leigh, assim como James D'Arcy que está a cara de Anthony Perkins. Uma grande surpresa é a presença de Ralph Macchio (Karatê Kid) interpretando o roteirista Joseph Stefano.

Hitchcock pode ter seus problemas, mas como já havia dito, sou fã de carteirinha do diretor e o filme me pegou pelo coração. Nota 8. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Tabu


Demorei um pouco para escrever sobre Tabu (2012), pois pretendia assistir novamente com o intuito de captar um pouco mais desse grandioso filme dirigido pelo português Miguel Gomes, que já abocanhou prêmios importantes e um grande reconhecimento por parte do público e da crítica. Como não foi possível ainda rever essa maravilha, vou comentar sobre o que ficou registrado na minha mente.

Tabu se divide em duas partes: Paraíso Perdido e Paraíso (sua relação com o cinema de F.W. Murnau se faz presente). Além de um prólogo, onde vemos um explorador português na Àfrica sofrendo ao tentar em vão, ocupar seu tempo para tentar suportar a morte da sua esposa. Ao final, ele se deixa ser engolido por um crocodilo, para logo em seguida, incorporar o animal e ficar ao lado do fantasma de sua mulher. Ficamos sabendo que essas imagens iniciais pertencem à um filme visto por Pilar (Teresa Madruga) num cinema que por sua vez, se encontra bastante envolvida com toda aquela história. É quando entra a primeira parte (Paraíso Perdido) onde conhecemos também Aurora (Laura Soveral), uma solitária senhora que divide um apartamento em Lisboa com Santa (Isabel Muñhoz Cardoso), sua empregada cabo-verdiana com quem vive um relacionamento de muita desconfiança. Pilar é vizinha de Aurora e as duas acabam ficando amigas. Aos poucos, o passado de Aurora vem à tona, e a partir desse ponto, dá início a segunda parte da história (Paraíso). Não vou adentrar em mais detalhes. Para os que gostam de um filme que foge completamente dos padrões hollywoodianos, eis um belíssimo exemplar. 

É necessário assistir mais de uma vez para absorver outras nuances da obra. Mas o que pude verificar, é a relação entre o passado longínquo das personagens e o melancólico presente. Um presente que sofre ao saber que o passado jamais irá se repetir e que vai existir somente na memória. Pode-se fazer até mesmo uma comparação com a situação atual de Portugal (e de outros países da Europa) com outras épocas.

O que mais impressiona na obra de Gomes é justamente a forma como ele apresenta a história. A segunda parte onde é descortinado o passado de Aurora, é todo narrado e sem diálogo algum. Lembra a boa época do cinema mudo, onde as expressões dos atores diziam mais que qualquer palavra.

A fotografia em preto e branco é um show à parte em todo o filme e faz um casamento perfeito com a cuidadosa edição.

O que dizer mais? Só revendo para tentar pescar algo que passou despercebido num primeiro momento. Algo tão comum em uma obra que é desde já, um forte candidato à melhor do ano. Nota 10.




domingo, 14 de julho de 2013

Detona Ralph (Wreck-It Ralph)


Não é preciso ser um aficionado por videogames para gostar de Detona Ralph (2012). Mas é claro que a baba poderá escorrer, se esse for o seu caso. Principalmente após as aparições de diversos personagens e às inúmeras referências de jogos. Pac-Man, Sonic, Zangief, Ryu e muitos outros marcam presença. No entanto, a grande força da animação dirigida por Rich Moore está na forma como o roteiro foi desenvolvido e principalmente nas questões que ele aborda. Além de um excelente visual, como não poderia deixar de ser.

Toda a trama se passa dentro dos jogos eletrônicos em uma casa repleta de fliperamas que se conectam entre si, onde ocorre a interação dos diversos personagens. Um deles é Ralph (John C. Reilly), o vilão do jogo Conserta Félix Jr. que destrói tudo que vê pelo caminho. Já Fix-It Felix (Jack McBryer), é o mocinho que conserta tudo com seu martelo mágico. Após o fechamento da casa, é descortinado todo o universo dos bastidores desses jogos apresentando o cotidiano desses personagens. Principalmente de Ralph, que  cansado de se sentir excluído e injustiçado pelos outros, almeja conseguir uma medalha que é concedida somente aos heróis. Para isso, ele acaba invadindo outros dois jogos onde irá conhecer personagens importantes na trama, como a Sargento Calhoun (Jane Lynch) e Vanellope von Schweetz (Sarah Silverman).

Como eu já havia dito, o filme tem um visual deslumbrante que na minha opinião alcança o seu ápice, quando Ralph adentra o colorido jogo Corrida Doce. É nesse ambiente que ele conhece a menina Vanellope que também sofre rejeição. Um fato curioso é que Rich criou essa personagem inspirado num livro escrito por Sarah Silverman,que em seguida aceitou o convite do diretor para fazer a voz da Vanellope.

Ao meu ver, o filme perde um pouco a sua fluidez lá pela metade e só retorna com força total lá pelo seu final empolgante. Uma dica é assistir os créditos finais com aparições de vários jogos.

Uma das cenas mais bacanas acontece próximo ao início envolvendo uma reunião com vários vilões, onde eles discutem sobre suas própias condições.

Se vale a pena assistir? Com toda a certeza e principalmente pela sua mensagem extremamente relevante que agrada crianças e adultos. Agora preciso terminar o texto e assistir outro filme. Game Over. Nota 7.