1 - La La Land - Cantando Estações (La La Land) de Damien Chazelle
2 - Toni Erdmann de Maren Ade
3 - Silêncio (Silence) de Martin Scorsese
4 - A Criada (Agassi) de Park Chan-Wook
5 - Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight) de Barry Jenkins
6 - Personal Shopper de Olivier Assayas
7 - Bingo - o Rei das Manhãs de Daniel Rezende
8 - Jackie de Pablo Larraín
9 - Manchester à Beira-Mar (Manchester By the Sea) de Kenneth Lonergan
10 - Logan de James Mangold
11 - Corra! (Get Out) de Jordan Peele
12 - Lady Macbeth de William Oldroyd
13 - Dunkirk de Christopher Nolan
14 - Detroit em Rebelião (Detroit) de Kathryn Bigelow
15 - Em Ritmo de Fuga (Baby Driver) de Edgar Wright
16 - Quase 18 (The Edge of Seventeen) de Kellt Fremon Craig
17 - A Qualquer Custo (Hell or High Water) de David Mackenzie
18 - It - A Coisa (It) de Andy Muschietti
19 - A Morte de Luís XIV (La Mort de Louis XIV) de Albert Serra
20 - A Tartaruga Vermelha (La Tortue Rouge) de Michael Dudok de Wit
Talento é um elemento que sobra no diretor George Miller. O cara parece estar sempre querendo encarar novos desafios e consegue ser muito bem sucedido nesse quesito. Seja em filmes de ação ( Mad Max), em dramas (Óleo de Lorenzo) e até mesmo em animações, que é o caso de Happy Feet - O Pinguim (2005). Aqui ele conta com o apoio na direção de Judy Morris e Warren Coleman.
Voltado tanto para o público infantil quanto para os adultos, o filme conta a história de Mano (Elijah Wood), um pinguim imperador que, diferente dos demais, não possui nenhum talento para cantar. Esse fato irá ocasionar a exclusão do protagonista por parte dos outros pinguins e consequentemente irá desencadear uma série de outros problemas para Mano. O seu talento na verdade é o de sapatear, e é o que ele mais gosta de fazer. Impossível não lembrar do grande Fred Astaire.
A obra já ganha a nossa simpatia pela afeição criada pelo pinguim e por vários outros personagens em geral. Palmas também para o roteiro muito bem amarrado abordando temas como preconceitos, tolerâncias, preservação de espécies, etc...
Algumas canções foram bem utilizadas em determinadas cenas. Em outras eu achei desnecessária.
As cenas de ação com os pinguins deslizando pelo gelo é de encher os olhos e muito bem realizadas, dando uma boa noção espacial para o espectador.
O filme ainda teve a grande sacada de perto do final, misturar animação com live action de maneira brilhante.
Demorei muito para assistir Happy Feet - O Pinguim. Antes tarde do que nunca. Nota 8.
Me apaixonei pela atriz britânica Sally Hawkins assim que assisti Blue Jasmine de Woody Allen. É claro que o trabalho de Cate Blanchet é impecável no filme, mas Sally não ficava atrás e compôs sua personagem de maneira brilhante. E aqui ela não está diferente.
Simplesmente Feliz (2008) foi bastante elogiado na época de seu lançamento. É de fato um filme muito bacana e com uma leveza alcançada com sucesso graça ao bom trabalho de Mike Leigh.
O filme nos apresenta Poppy (Sally Hawkis), que é a personificação da felicidade. Ela divide o apartamento com a sua amiga Zoe (Alexis Zegerman), trabalha como professora primária, sai pra se divertir com as amigas, é solteira e treina na auto escola. Conduz a sua vida da maneira mais leve possível, dando a sensação de não ter nenhum tipo de problema. Só que alguns percalços irão surgir em seu caminho.
Em alguns momento, toda essa alegria e ingenuidade da personagem no roteiro me deram uma sensação de artificialidade. No entanto, a atuação de Sally é tão convincente que me fez comprar a ideia. Quase todo o ambiente ao redor de Poppy reflete o seu interior e no final, ela percebe que nem sempre isso é possível. Destaco também o estressado professor da auto escola (Eddie Marsan)
Simplesmente Feliz é uma obra que transita entre a comédia e o drama de maneira sutil e consegue atingir o seu objetivo. Nota 8.
Teen Wolf - O Garoto do Futuro (1985) era mais um daqueles filmes da minha lista que sempre passava na TV (no caso a emissora do Sílvio Santos) e que nunca tinha assistido inteiro. Conhecia uma ou outra cena da quadra de basquete e só. Agora com o DVD fazendo parte da minha coleção pude degustar a obra com calma.
O filme conta a história de Scott Howard (Michael J. Fox), um adolescente repleto de inseguranças sem talento para quase nada e que ainda por cima, se apaixona pela garota mais popular do colégio. O time de basquete em que joga só perde e vira piada para os outros. Ou seja, um loser de carteirinha.
Mas eis que surgem algumas transformações em seu corpo até que ele descobre através de seu pai (James Hampton) que ele e quase todos da família carregam no gene a capacidade de se transformar em um lobisomem. Quando esse lado aflora, ele ganha certas habilidades e forças. Com isso, toda a situação ao seu redor se modifica também.
Michael J. Fox não apresenta nada de novo por aqui em termos de atuação, assim como os demais do elenco.
O roteiro é divertido em diversos momentos mesmo sendo um tanto quanto previsível. Achei que eles poderiam desenvolver melhor o período de transformação do personagem principal e dar mais atenção aos coadjuvantes.
A montagem dos planos durante os jogos é bem feita e dá a sensação no espectador de presença dentro da quadra.
A obra tem o propósito de retratar os problemas da complicada fase da adolescência e as inseguranças que surgem com a dificuldade da auto - aceitação. Além de apontar responsabilidades e consequências derivadas de algumas atitudes tomadas com a chegada do amadurecimento. Nota 6.
Meu amigo Celo Silva sempre comenta que em todo ano novo, gosta de assistir a Cantando na Chuva (1952), pois o filme funciona como um antidepressivo e deixa uma sensação gostosa dentro da gente. Diante dessa declaração que concordo plenamente e do falecimento recente de uma das principais atrizes do filme (Debbie Reynolds) decidi embarcar na experiência e prestar de certa forma a minha homenagem. E é chover no molhado dizer que comecei bem 2017.
O filme apresenta uma das cenas mais famosas, imitadas e satirizadas da história do cinema: Gene Kelly cantando e dançando na chuva. Mesmo quem nunca viu o filme, reconhece essa cena e quantas pessoas pelo mundo não devem ter pensado nela enquanto caminhava pelas ruas durante uma chuva!
Mas a obra é repleta de cenas tão fantásticas ou até melhores que essa. Isso sem falar no bom roteiro metalinguístico que aponta a trajetória de atores, diretores, produtores, músicos e trabalhadores da sétima arte enfrentando a transição do cinema mudo para o cinema sonoro. O filme também aborda a época em que o cinema era considerado por muitos, uma arte inferior em relação ao teatro. Além de toda a dificuldade de diversos artistas que funcionavam muito bem na época do cinema mudo, mas que perderam seus empregos durante essa mudança.
Na trama, temos a trajetória de Don Lockwood (Gene Kelly) que com seu talento na dança e muita batalha como dublê, consegue um lugar ao sol se tornando um famosíssimo ator. Além dele temos o músico (Donald O' Connor), a atriz que faz um falso par romântico fora das telas (Jean Hagen) e a talentosa mas desconhecida atriz (Debbie Reynolds) que é o verdadeiro amor de Don. Durante a projeção, Don irá confrontar diversos dilemas e situações que irão confluir para aquilo que ele mais procura: dignidade.
O filme tece uma crítica sobre as mentiras e lendas construídas em cima dos artistas e o sensacionalismo divulgados pelos veículos de imprensa preocupados apenas em $$$$ em detrimento de valores da profissão. Bem atual não acham?
As coreografias são um show á parte. Impressionante o trabalho de todos, mas principalmente de Gene Kelly e Donald O'Connor. Não pertencem a este planeta! Como um belíssimo bônus, temos ainda uma pequena participação da grande Cyd Charisse que está estonteante. Outra presença bacana é da atriz Rita Moreno, presente também em um outro musical bastante famoso: "Amor, Sublime Amor".
Todo o trabalho de direção de arte aqui é fantástico e transmitem com perfeição exatamente aquilo que a história pede.
Muitas das canções eram existentes antes do filme e serviram de inspiração para a realização do roteiro.
Como curiosidade, a famosa cena de Gene Kelly dançando e cantando na chuva foi feita com uma mistura de água e leite e o ator estava com febre.
Cantando na Chuva é um filme alegre que representa a resistência e a perseverança em manter a alegria e o sonho mesmo diante das dificuldades da vida. Filmaço! Nota 10.
Uma obra de arte com um trio formado por George Romero, Dario Argento e Tom Savini, só poderia resultar em algo inesquecível. O Despertar dos Mortos (1978) é um dos mais icônicos filmes com zumbis de todos os tempos.O diretor George Romero - que já nos presenteou anteriormente com o também icônico "A Noite dos Mortos Vivos" - faz um bom trabalho mesmo contando com um orçamento limitado. Tem como grande reforço o mestre Dario Argento na criação do roteiro e o talentoso Tom Savini (técnico em maquiagens) que ainda tem uma pequena participação no filme.
Logo de cara, somos jogados em meio ao caos dos bastidores de uma emissora de TV, apresentando um programa onde um debate acalorado sobre a crescente aparição de zumbis e qual a atitude correta deverá ser tomada mediante essa situação. Nessa emissora trabalham a dedicada repórter Francine (Gaylen Ross) e o piloto de helicóptero Stephen (David Emge). Ambos decidem fugir com um helicóptero que se encontra na cobertura do prédio. Juntam-se à eles, dois policiais sobreviventes de uma outra missão envolvendo zumbis. São eles: Roger (Scott H. Reiniger) e Peter (Ken Foree). Durante o vôo, observaram toda a cidade tomada de zumbis e decidiram pousar no teto de um shopping center pensando justamente nos recursos daquele local. Dali, pra frente, os quatro personagens irão lutar pela própria sobrevivência.
Mesmo com os elementos de terror e muito gore, a obra possui bastante ação.e alguns momentos de tensão, como na cena em que um zumbi sobe a escadaria para atacar a personagem Francine. O roteiro apresenta alguns diálogos desnecessários e situações que poderiam muito bem ser cortadas no processo de montagem. No entanto, possui uma mensagem extremamente relevante relacionado ao consumismo desenfreado, além de levantar questões como o racismo e o aborto. Mesmo com todos os problemas, o filme tem cenas e diálogos memoráveis. O roteiro faz a gente torcer para aqueles quatro personagens.
A trilha sonora é bem bacana, mas achei mal encaixada em alguns momentos. Alguns elementos da maquiagem são bem exageradas, porém isso até traz um charme trash para o filme. O shopping é um personagem importante e seu espaço é bem utilizado.
Uma curiosidade é que esse filme teve um remake bacana em 2004 com o título de Madrugada dos Mortos.
Politicamente incorreto (lembrei agora da cena com as crianças zumbis), O Despertar dos Mortos é um filme que diverte bastante sem assustar tanto. Principalmente nos dias de hoje. Nota 7.
Quem tem mais de 30 anos, vai se lembrar dos filmes com adolescentes no colégio que passava repetidamente tanto na Sessão da Tarde da Globo, quanto na Sessão das Dez do SBT. Era uma época onde o politicamente correto quase não tinha vez e a obra cumpria o que prometia: Diversão garantida.
Picardias Estudantis (1982) se encaixa perfeitamente nessa descrição acima e mesmo não sendo cinematograficamente grandioso, nos faz grudar os olhos na tela e querer acompanhar a vida daqueles personagens.
Cameron Crowe escreveu o roteiro baseado na própria vivência durante o período colegial.. Seus personagens são em sua maioria adolescentes motivados pelos anseios e inseguranças típicos dessa fase. Alguns acreditam na experiência sexual como um combustível para a auto estima. Outros preferem se refugiar nas drogas.
A trama apresenta diversos personagens. Entre eles, duas amigas que trabalham como garçonete:Uma delas supostamente já teve uma experiência sexual (Phoebe Cates) e tem um namorado que se encontra distante. A outra, ainda é virgem (Jennifer Jason Leigh) e busca fazer sexo com uma pessoa bacana. Tem também os dois irmãos: O mais velho (Robert Romanus) arruma grana como cambista e tem uma auto estima exageradamente elevada. O irmão mais novo (Brian Baker) é exatamente o oposto e tem dificuldades de expor seus sentimentos para a garota que ama.. Tem o surfista que só vive chapado (Sean Penn), e entra em conflito constantemente com o professor linha dura (Ray Walston). Tem o rapaz em busca de novas aventuras sexuais e um emprego melhor (Judge Reinhold) e tem muitos outros coadjuvantes do quilate de Eric Stoltz, Forest Whitaker e uma aparição muito pequena de Nicolas Cage, que na época ainda era creditado como Nicolas Coppola.
A diretora Amy Heckerling fez um bom trabalho e consegue amarrar bem o amadurecimento dos seus principais personagens. A montagem eu achei em alguns momentos acelerada e talvez essa era realmente a intenção da equipe para justamente refletir a velocidade com que tudo acontece na vida daqueles adolescentes.
Algumas cenas são realmente marcantes. Uma para ficar na memória, envolve a imaginação de um dos personagens com a amiga da sua irmã. É engraçada e excitante ao nível máximo. Oh Phoebe Cates!
Picardias Estudantis é uma típica comédia adolescente dos anos 80 que aborda alguns temas sérios (como o aborto, por exemplo) e com um elenco bacana que não compromete nas atuações. Possui um roteiro com o propósito de divertir se debruçando sobre alguns dilemas dessa fase da vida.. Nada mais que isso. Nota 7.
Confesso que fui assistir com um pé atrás (com os dois pra falar a verdade) à Loucas pra Casar.(2014). Principalmente pelo fato de ser uma comédia com o apoio da Globo Filmes. Como foi um pedido da minha querida esposa Gisele que eu amo tanto, me aventurei nessa empreitada. No final das contas, me surpreendi positivamente com o filme. Não que seja a oitava maravilha do mundo, mas ela difere em alguns aspectos se compararmos com os lançamentos com a fórmula: Zorra Total + Novela da Globo + Divulgação = $$$$$$$.
Logo de cara presenciamos uma situação pra lá de surreal: três mulheres vestidas de noiva se encontram na beira de uma ponte com o mesmo intento: cometer suicídio após serem desiludidas pelo "príncipe encantado". A situação só tende a se agravar quando as três descobrem ser noivas da mesma pessoa. A partir desse trecho, o filme nos carrega para alguns anos antes, revelando a história dessas três mulheres. Uma delas (Ingrid Guimarães) é uma workaholic com um passado nada agradável nos relacionamentos e que pretende cuidar mais de si mesma sem se iludir com o romantismo.A outra (Suzana Pires), trabalha como dançarina de boate e vive uma vida totalmente fora dos padrões da sociedade. É completamente impulsiva e sem papas na língua. Já a terceira (Tatá Werneck), é uma jovem religiosa que almeja manter a virgindade até o casamento e prefere transmitir a imagem de uma boa moça. No entanto, em alguns momentos parece que vai ultrapassar a linha dos bons costumes. O tal "príncipe encantado" (Márcio Garcia), é o garanhão que vai causar um verdadeiro caos na cabeça dessa mulherada.
O roteiro tem alguns diálogos terríveis, repletos de clichês e momentos covardes (os personagens transam quase sempre com roupas). No início, eu fiquei na dúvida sobre qual seria a proposta dos realizadores. Com o decorrer da trama, eu interpretei que a principal intenção é a de mostrar o posicionamento de algumas mulheres em busca da perfeita felicidade dentro de um relacionamento e o quanto que essa perfeição não existe (como diz a personagem interpretada pela Fabiana Karla). Nos momentos finais, é que nos deparamos com a cereja do bolo do roteiro que faz a gente comprar toda a ideia estimulando uma reflexão.
A fotografia é correta e não tem muito o que destacar. Gostei do trabalho da direção de arte. Prestem atenção à uma rima visual envolvendo um espelho. Até a cor branca do vestido das noivas tem a sua importância pra trama, assim como as flores que cada uma segura tem a ver com suas diferentes personalidades.
A música Happy do Pharrell Williams até funciona nos momentos alegres da personagem principal. No entanto é usado em demasia.
Ingrid Guimarães se esforça e praticamente leva o filme nas costas. Achei a Tatá Werneck mal aproveitada e alguns momentos foram usados apenas pra aproveitar o humor típico da atriz que aqui muitas vezes não funciona. Suzana Pires está ok e Márcio Garcia...é sempre Márcio Garcia.
O diretor Roberto Santucci vem fazendo uma comédia atrás da outra e desconfio seriamente que esse é seu melhor trabalho. Nota 6.
Andy Wahrol certa vez disse: "No futuro, todos terão os seus 15 minutos de fama". Sua frase profética ganha total sentido com a realidade virtual dos dias de hoje. A internet pode ser a porta de entrada para o surgimento de muitas "estrelas" da noite para o dia. Estrelas essas que podem desaparecer do mapa com a mesma velocidade que entraram. No entanto, o que importa é a busca incessante pela fama. Nem que seja instantânea. A busca obsessiva em ser o alvo dos holofotes, é um dos temas abordados em Mapa para as Estrelas (2014), o mais recente trabalho do grande diretor David Cronenberg.
A narrativa aos poucos vai apresentando o cotidiano e motivações de alguns personagens que lá na frente irão se cruzar. O espectador tem a sensação de estar montando um quebra-cabeças bem interessante.Na trama que se passa em Hollywood (Óóóóóóóóó´...), temos uma atriz decadente (Julianne Moore) que almeja voltar ao topo e busca desesperadamente atuar em uma refilmagem estrelada pela sua própria mãe no passado. Há também uma jovem com queimaduras no corpo (Mia Wasikowska) que sonha em ser roteirista e um astro de 13 anos retornando com uma série de sucesso após problemas com drogas. O desenrolar da história traz uma dose correta de tensão e estranheza graças ao belíssimo trabalho com o som e a fotografia.
Conhecendo os filmes do Cronenberg, posso afirmar que quem curte os trabalhos mais viscerais do diretor, não irá se decepcionar. Tem nudez, escatologia e uma cena inesquecível com a Julianne Moore. Por falar na atriz, sua atuação nesse filme é simplesmente impecável. Ouvindo um podcast do site Cinema em Cena, o Renato Silveira comentou que a personagem da Julianne lembra a Lindsay Lohan mais velha. Concordo plenamente com ele. Mia Wasikowska está no tom certo e entrega mais um bom trabalho. A revelação para mim foi Evan Bird que traz um personagem bem estranho. Outros atores estão muito bem. Entre eles: John Cusack interpretando o pai do ator mirim e Robert Pattinson que volta a interpretar um sujeito dentro de uma limusine só que agora como motorista. (Quem conhece Cosmópolia sabe do que estou falando)
Algumas cenas poderiam ficar de fora na montagem. Como por exemplo o excesso das aparições fantasmagóricas que trazem uma certa carga de tensão em alguns momentos e em outros se tornam repetitivas. Além do sobrenatural, o filme também aborda o incesto. Não vou adentrar muito no assunto para não cometer spoilers.
Uma das cenas com efeitos visuais envolvendo fogo me incomodou um pouco. Principalmente pelo seu grau de artificialidade No entanto eu acredito que essa decisão foi proposital por parte de Cronenberg e sua equipe para refletir justamente a artificialidade dos seus personagens. Lembrando do filme, o elemento fogo é muitas vezes citado durante o filme. É como se aquelas pessoas estivessem causando incêndios (literalmente e metaforicamente) e depois tendo que apagá-los.
Repleto de humor negro e sarcasmo, Mapa para as Estrelas é mais uma bola dentro desse extraordinário canadense. Cronenberg joga uma lupa e revela que por trás daqueles seres humanos "amáveis", existem pessoas sem um pingo de humanidade. Qualquer semelhança com histórias verdadeiras seria mera coincidência?
Após uma leva de filmes onde os contos de fadas apresentam novas versões com personagens femininas fortes, eis que a Disney dá uma pisada no freio e refaz Cinderela (2015), que retorna com atores de carne e osso e uma roupagem mais parecida com as antigas princesas do estúdio. A escolha para conduzir essa empreitada foi mais que acertada: Kenneth Branagh. Acostumado a trabalhar em filmes onde a fotografia e a direção de arte costumam se destacar, Branagh mostrou estar à todo vapor. Seu trabalho nesse filme vai bem mais além.
A trama chupada da animação clássica de 1950, não apresenta muitas modificações. Vemos a relação da Cinderela (Lily James) com seus pais e posteriormente com a madrasta (Cate Blanchet). No início tudo é alegria na vida da menina. Após o falecimento de seus pais,sua vida vira de cabeça para baixo e ela passa a comer o pão que o diabo amassou. É tratada com desprezo pela madrasta e suas terríveis filhas. Até que um dia ela se depara com um rapaz e se apaixona loucamente por ele. Essa paixão poderá ser uma luz no fim do túnel para Cinderela conquistar aquela alegria de outrora.
Como foi dito anteriormente, a fotografia é muito bem cuidada. Alguns planos exageram em querer mostrar em muitos momentos, a grandiosidade dos palácios. Não precisava tanto. A cena em que a personagem de Cate Blanchet é mergulhada em sombras é uma excelente sacada para mostrar a malvadeza daquela personagem. O trabalho dos figurinos e cenários são fantásticos com destaque na cena do baile onde a cor azul do vestido da Cinderela se diferencia das demais.
Cate Blanchet é uma baita atriz. Sentimos raiva da sua personagem e ela convence com a dose certa de exagero que um filme de fantasia normalmente pede. Ela está tão bem que ofusca um pouco o trabalho de Lily James e das demais. Helena Bonham Carter caiu como uma luva interpretando uma estranha fada madrinha que também narra a história.
O roteiro nos faz acreditar no sofrimento de Cinderella, mas peca ao apresentar o príncipe e todos que o cercam. Seu personagem não teve uma boa construção e seu romance com a protagonista é chocho e sem muita emoção. O humor é sutil em diversos momentos.
A música para o filme é muito boa, porém usada com exageros para forçar a emoção no espectador. Muitas vezes não tem efeito.
O maior destaque do filme é o uso correto dos efeitos visuais. Estão ali para servir a história e não somente para impressionar. A melhor cena na minha opinião, envolve a Cinderela fugindo com seus amigos animais dentro da clássica carruagem. É um verdadeiro primor tanto nos efeitos quanto na montagem.
No final das contas, mesmo sendo uma Cinderela no estilo tradicional e com uma mensagem simples, o filme é capaz de agradar essa nova geração. Basta ter coragem e ser gentil. Nota 7.
Numa Segunda-feira à noite, acompanhei minha
esposa no UCI Norte Shopping para assistir Meu Passado me Condena 2. Não tinha
assistido o primeiro filme. No entanto , não é necessário para a compreensão
desta obra. Estava crente que ia encontrar o cinema tranquilo e sem muita
gente. Chegando na bilheteria, constatamos que só tinha ingresso para a última
sessão e poucas poltronas disponíveis. Conseguimos um lugar bem próximo do
telão. Ao me acomodar na sala, percebi o quanto iria ser uma sessão complicada,
pois haviam muitos engraçadinhos fazendo barulho, crianças e adultos
conversando como se estivessem em casa e adolescentes que estavam ali para
fazer piadinhas o tempo todo. Essa situação continuou nos trailers e mesmo
durante o filme. A coisa só melhorou após a interferência de funcionários
exigindo que um grupo de espectadores mal educados parassem de incomodar os
demais.
A obra nos apresenta um casal em crise que
está prestes a jogar o casamento no lixo. Fábio (Fábio Porchat) é um sujeito
brincalhão e meio desleixado que tenta levar a vida da maneira mais leve
possível. Já a sua esposa Miá (Miá Mello) leva uma vida mais séria e regrada.
Ambos se amam, mas esse contraponto faz com que um tenha dificuldade de se
adequar ao outro e vice versa. Ao descobrir que seu avô fiou viúvo em
Portugal,Fábio decide aproveitar a
viagem para o velho continente com o intuito de reacender a chama do seu
casamento com Miá. Chegando lá, muitas histórias de seu passado virão à tona.
Mesmo sendo uma típica comédia dessa nova
safra do cinema nacional, o filme possui alguns momentos bem divertidos. O
roteiro possui alguns problemas envolvendo a presença de personagens que não
acrescentam muita coisa na trama, como é o caso do casal interpretado por
Marcelo Valle e Inez Viana.
Fábio Porchat carrega praticamente o filme nas
costas e tem uma veia cômica interessante. Alguns momentos, como na cena do
piquenique são bem engraçados e me fez lembrar um pouco de Woody Allen. Em
outros o humor é carregado com um certo exagero e perde sua força. Miá Mello,
apesar da importância de sua personagem,acaba sendo ofuscada pelo seu parceiro de cena.. A grande surpresa é a
atriz portuguesa Mafalda Rodiles que traz um frescor à sua personagem interpretando
uma antiga namorada de Fábio. Já Ricardo Pereira não tem tanto destaque.
A diretora Júlia Rezende e sua equipe faz um
trabalho bacana e com uma excelente fotografia, revelando belas imagens do
interior de Portugal.
Gostei muito dos créditos iniciais, onde já se
revela muito sobre o casal sem dizer uma só palavra.
Um filme repleto de clichês com algumas cenas
engraçadas. Nota 5.
Assisti o primeiro Jurassic Park no extinto cinema de Olaria na época do seu lançamento e fiquei impressionado pelas qualidades da obra e principalmente pela boa utilização dos efeitos visuais. A primeira aparição de um dinossauro no filme foi marcante para toda aquela geração. Hoje, após todos esses anos e duas sequências sem a mesma qualidade do original, decidi retornar à esse incrível parque. Pode não causar o mesmo efeito do primeiro filme, mas vale a pena a experiência.
A trama de Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros (2015) não foge da fórmula dos outros filmes. Dessa vez, o parque precisa de novidades e um dos recursos utilizados é a criação de espécies geneticamente modificadas com o intuito de atrair cada vez mais o público. É óbvio que em algum momento, algo sairá do controle deixando todos em desespero. Entre os personagens de maior destaque está a workaholic diretora do parque (Bryce Dallas Howard), seus sobrinhos (Ty Simpkins e Nick Robinson) e o adestrador de dinossauros (Chris Pratt).
O trabalho de Colin Trevorrow na direção é muito bom e já nos conquista logo na primeira cena, onde vemos um ovo eclodindo e apresentando o olhar do dinossauro mais relevante da trama. As cenas de ação são muito bem conduzidas e apresentam uma fluidez graças à bela montagem.
O maior problema do filme está no roteiro com diversos diálogos e situações que chegam a incomodar. O affair entre os personagens de Bryce e Pratt durante o ataque dos pterodáctilos e o diálogo dos dois irmãos envolvendo o concerto de um carro são alguns exemplos. A motivação de um dos vilões do filme em transformar os dinossauros em armas militares também não convence. O humor do filme algumas vezes não funciona.
Bryce Dallas Howard se esforça e faz mais uma vez um bom trabalho. Chris Pratt não tem muita chance de demonstrar seu talento, mas não compromete. Achei o personagem de Nick Robinson sem empatia alguma. Bem diferente de Ty Simpkins, o irmão mais novo e fanático por dinossauros.
Percebemos a utilização dos efeitos visuais quando a câmera utiliza um plano geral revelando todo o ambiente do parque, mas isso não incomodou em nenhum momento. Tudo combina perfeitamente bem com a fotografia e a direção de arte.
A música de Michael Giacchino é muto bem utilizada e traz um frescor em diversas cenas.
O novo parque dos dinossauros é um típico blockbuster contendo referências bacanas ao primeiro filme e com um roteiro problemático. No entanto, seus defeitos não atrapalham na sua apreciação. Bom para assistir com pipoca e refrigerante. Nota 7.
Revendo agora o blu ray de Cinquenta Tons de Cinza (2015) - obra baseada no best-seller homônimo de E.L. James -, pude reforçar ainda mais a impressão que tive na primeira vez que assisti no cinema: um filme feito para agradar fãs com um roteiro focado na dificuldade dos protagonistas em manter um romance que pode machucar. Se você por acaso lembrar de Crepúsculo não é mera coincidência. A obra foi inspirada pela saga de Bella, Edward e Jacob.
O filme apresenta a jovem e insegura Anastasia Steele (Dakota Johnson), uma estudante de literatura que irá ajudar na conclusão de um trabalho de sua amiga adoecida. Esse trabalho consiste em entrevistar o milionário Christian Grey (Jamie Dornan), que por sua vez esbanja segurança e auto-estima. Ao chegar em seu luxuoso escritório, ocorre uma atração instantânea entre ambos e ali irá nascer uma paixão onde serão revelados alguns segredos ligados à vida sexual do Sr. Grey.
O roteiro (adaptado por Kelly Marcel) não vai muito além das indecisões de seus protagonistas com diálogos do tipo: "Você não pode ficar comigo...mas eu não consigo ficar longe de você..." num lenga lenga interminável que já foi visto antes em Crepúsculo. Algumas frases forçadas em alguns momentos apenas com o intuito de causar algum efeito e estimular gritinhos das mais escandalosas ocasionando uma artificialidade e falta de fluidez. O maior prejudicado pelo roteiro foi o personagem de Jamie Dornan. Seu Christian Grey não traz nenhuma empatia e fica difícil torcer ou acreditar naquele sujeito. A sua justificativa para agir de um jeito meio machista e controlador não é nada convincente.Sua relação com o sadomasoquismo também não é muito explorada. Dakota Johnson até se esforça com sua Anastasia e na minha opinião tira "leite de pedra".
Gostei do trabalho da direção de arte, dos figurinos e principalmente da fotografia. Algumas escolhas da diretora Sam Taylot Johnson foram acertadas como por exemplo: o plano em que Anastasia chega ao local da entrevista e observa o prédio do Sr. Grey lembrando um pênis ereto. Tem também a cena em que ela põe o lápis na boca com o nome do milionário. São cenas que remetem sexo sem ter sexo. Por falar no dito cujo, as cenas não são excitantes e o tão falado sadomasoquismo é bem careta.
Outro ponto positivo é o uso da cor. O azul representando o universo dela (observem a cor do fusca, algumas roupas e elementos de cena) e o vermelho representando o universo dele ( a corda, o quarto da dor e o carro que ele dá de presente). Algumas vezes eles invertem a cor como se estivessem se adequando um ao outro.
As músicas são bem utilizadas e tem uma versão nova da Beyonce de Crazy in Love que ficou até bacana.
Um filme com uma bela fotografia e um roteiro muito mal desenvolvido. Nota 4.
Sabe aquela sensação bacana quando você sai da sala do cinema com um sorriso no rosto e um encantamento gigantesco daquilo que acabou de assistir? Pois foi exatamente isso que aconteceu comigo após a sessão de Divertida Mente (2015), a mais recente animação da Pixar. O diretor Pete Docter (que também co-dirigiu Up - Altas Aventuras e Monstros S.A.), usou e abusou da imaginação para criar um universo fantástico. Nesse quesito, deve-se enaltecer o trabalho de design de produção. É um colírio para os olhos.
Na trama, acompanhamos a vida de Riley (Kaitlyn Dias) desde a infância até a pré-adolescência e suas 5 emoções que convivem em seu cérebro numa espécie de sala de comando. Essas emoções são: Alegria (Amy Poehler), Tristeza (Phyllis Smith), Nojinho (Mindy Kaling), Raiva (Lewis Black) e Medo (Bill Hader). Em certo momento, Riley se muda para outra cidade com seus pais e seus sentimentos ficam confusos em lidar com essa nova condição. Presenciamos então um descontrole na sala de comando e como essas emoções irão interagir entre si daí para frente.
O roteiro possui uma coesão impressionante ao interligar muito bem dois universos. Principalmente se levarmos em conta, que é a mente de um indivíduo que está sendo retratada. O filme poderia tornar esse ambiente complexo numa história confusa e até difícil de acompanhar. No entanto, não é isso que acontece e a obra nos transporta para diversas regiões do cérebro. Entre eles:: o subconsciente, a área onde os sonhos são reproduzidos e até mesmo nos pensamentos abstratos. Aqui, o roteiro atinge o ápice da criatividade.
A história ainda guarda uma grata surpresa: o personagem Bing Bong (Richard King) que é o amigo imaginário da Riley e um dos personagens mais legais da Pixar nos últimos anos.
Toda a cor da animação é muito bem utilizada e retrata muito bem o que cada personagem quer passar. Assim como o figurino dos personagens (Raiva com a cor vermelha e uma roupa que lembra a de um chefe estressado de escritório estressado, Nojinho com a cor verde que lembra gosma e um figurino de mulher perua e afrescalhada, a Alegria com sua cor amarela transmitindo vibração e um modelito de verão, o Medo com seu jeito franzino e um figurino que remete insegurança, e a Tristeza com sua cor azul e um roupão de frio), tudo foi muito bem pensado. Bacana também observar a mudança no figurino da Riley retratando aquilo que ela sente naquele momento.
Todo o trabalho com o som é muito bem realizado e sua trilha sonora ajuda a sublinhar bem toda a história.
Mesmo não sendo original e com alguns clichês, Divertida Mente possui um formato altamente criativo e com uma mensagem deveras relevante.
Divertido e emocionante. Na minha opinião, o melhor filme de 2015 visto nos cinemas até o momento. Nota 10.