domingo, 7 de junho de 2015

Um Conto do Destino (Winter´s Tale)


Há determinados filmes que te convidam para um universo único. Muitas obras fantásticas se destacam por fugir completamente da verossimilhança e pela capacidade de nos transportar para um lugar diferente durante mais de uma hora, onde no final das contas tudo pode ou não fazer algum sentido para a história. Tudo vai depender da disposição do espectador de aceitar ou não esse convite. E caso aceite, não significa que ele vai gostar dessa imersão.


Esse é o caso de Um Conto do Destino (2014), dirigido por Akiva Goldsman - que também adaptou o roteiro de um romance literário -  e estrelado por atores do naipe de Colin Farrell, Russell Crowe, Will Smith, Jennifer Connelly e Eva Marie Saint.

A trama - que se passa em diferentes épocas - apresenta Peter Lake (Collin Farrell), que ainda bebê, foi colocado por seus pais em um barquinho com o intuito de salvá-lo de um surto de tuberculose ocorrida em sua cidade no final do século XIX. Criado por outras pessoas, ele cresce e se torna um ladrão em Manhattan. Em um dos seus assaltos, após invadir uma casa, ele se depara com uma jovem (Jessica Brown Findlay) com uma grave doença que irá mudar por completo sua vida.

Contando desse jeito, vocês devem estar se perguntando: Onde está a magia nisso tudo? Pois bem. E se eu disser que o barquinho onde foi deixado o menino foi largado em alto mar? Insira nisso tudo, milagres realizados pela força do amor ,um cavalo alado, um protagonista que vive mais de 100 anos sem envelhecer e demônios se passando por humanos. Certos momentos lembra as histórias com princesas.

A mensagem edificante de que o amor supera até mesmo a morte é bacana. No entanto, senti uma forçação de barra para emocionar o público à qualquer custo e nesse quesito não foi eficiente. Lembro-me que me emocionei apenas em uma cena lá pelo final do filme. 

Collin Ferrell está péssimo. Não sei se foi por causa da dublagem (Parabéns HBO pela falta de opção com legenda), mas me pareceu indiferente em vários momentos. Assisti ao filme com minha esposa e em um certo momento comentei que até o cavalo estava atuando melhor. Gostei da atuação de Jessica Brown Findlay. Russel Crowe se esforça interpretando um demônio. Já Will Smith não convence interpretando o Lúcifer com aquele jeitão de seu personagem em MIB - Homens de Preto. Jennifer Connelly não tem tanto tempo para mostrar muita coisa, apesar de sua personagem ter importância na trama e temos também em uma participação rápida Eva Marie Saint.

A fotografia é bem bonita principalmente nas cenas com neve. A música de Hans Zimmer é boa, mas utilizada com um certo exagero para causar efeitos dramáticos na platéia. O roteiro poderia ser mais enxuto e com menos diálogos expositivos. Por falar nos diálogos, muitos não atingem o objetivo desejado.

Um Conto do Destino é uma fantasia clichê com uma mensagem bonita, mas que peca ao não conseguir cumprir alguns objetivos. Nota 6.


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância (Birdman: Or The Unexpected Virtue of Ignorance)


O grande vencedor de melhor filme no Oscar em 2015 foi Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014). Não é meu interesse entrar no debate se a premiação foi merecida ou não. No entanto, vale ressaltar que o trabalho realizado por toda a equipe e principalmente do diretor Alejandro González Iñárritu é de tirar o chapéu. A trama do filme - que é apresentada durante alguns dias -, deixa a impressão no espectador de ser um longo plano sequência.  E nesse quesito, é impressionante a fluidez da obra. Palmas para o grande trabalho do diretor de fotografia (Emmanuel Lubezki) que captou de forma belíssima as imagens em diferentes ambientes.

Na história, Riggan Thomson (Michael Keaton) é um ator em busca de novos desafios. No passado ele interpretou o super herói Birdman: um personagem que marcou de vez a sua carreira (Notem a semelhança com o Batman interpretado pelo próprio Michael Keaton). Com o passar dos anos, Riggan foi perdendo seu prestígio e agora busca um reconhecimento não somente como ator, mas também como diretor e roteirista adaptando um respeitado livro para uma peça da Broadway. E é durante os dias que antecedem a estreia da peça, que acompanhamos nos bastidores não somente Riggan, mas todos que cruzam seu caminho. Entre eles o produtor nervoso com o rendimento da peça (Zach Galifianakis), a atriz que é amante de Riggan e que supostamente está grávida (Andrea Riseborough), a outra atriz de confiança do diretor, mas insegura por ser seu primeiro trabalho na Broadway (Naomi Watts), o excelente ator escalado às pressas, mas com um gênio difícil (Edward Norton), a filha de Riggan que acabou de sair da reabilitação, mas que a qualquer momento pode ter uma recaída (Emma Stone), entre outros.

Mérito de Iñárritu e sua equipe que consegue nos jogar dentro dessa "panela de pressão", tornando-nos testemunhas da loucura de seu protagonista na busca obsessiva pelo reconhecimento do seu talento. O medo de fracassar é multiplicado quando uma voz interior (do próprio personagem Birdman) assombra sua mente. No meio de tudo isso, ele ainda tem que lidar com críticos rigorosos e jornalistas imbecis. Nesse ponto, o personagem de Norton se contrapõe ao de Keaton, pois está pouco se lixando com a opinião alheia.

Descrevendo dessa maneira, ficou parecendo que o filme não apresenta problemas. A sensação que tive durante a meia hora final, , é que a obra perde um pouco a sua força. Força essa que é retomada na última cena, dando margem à interpretações.

O que dizer do elenco? Todos maravilhosos. Naomi Watts já esteve em atuações melhores e aqui me pareceu um pouco ofuscada diante da interpretação de Edward Norton e Michael Keaton. Emma Stone também tem seus momentos  e aqui seus olhos parecem que vão saltar.

A música é eficiente para transmitir todo o caos e muitas vezes é utilizado somente uma bateria. Em algumas cenas aparece um homem tocando bateria.

Iñárritu mereceu o Oscar de melhor diretor e fez aqui uma obra poderosa que pode gerar relevantes debates sobre loucura, busca por aceitação, expectativa por reconhecimento, papel da imprensa e crítica sobre o trabalho dos atores e toda a equipe, etc... Nota 8.


domingo, 31 de maio de 2015

Mulher Nota 1000 (Weird Science)



Lembro da última vez que assisti Mulher Nota 1000 (1985): era um moleque ainda deslumbrado com o videocassete e sem entender a proposta do genial John Hughes. Achei aquilo tudo uma loucura e não consegui prestar atenção direito no filme. Lembro também que estava assistindo junto com o meu padrinho Ricardo, com quem assisti diversos filmes dos anos 80.

Depois de todos esses anos e conversas com amigos sobre os filmes produzidos nessa década, decidi revisitar essa obra que obviamente se revelou de uma outra forma. Principalmente depois de conhecer a marca dos filmes de John Hugues. Muitos elementos caros ás obras do diretor estão presentes aqui como por exemplo: a dificuldade de comunicação entre pais e filhos e a insegurança na fase da adolescência.

Somos apresentados aos adolescentes Gary (Anthony Michael Hall) e Wyatt (Ilan Mitchel-Smith) que sofrem todos os tipos de bullying no dia a dia e que fantasiam ter um mínimo de popularidade com as meninas e colegas da escola. Até que um dia, após assistirem um filme de Frankenstein na televisão, decidem criar uma mulher perfeita no computador. Só que um incidente com um raio, transforma toda a casa num verdadeiro caos e a mulher virtual se transforma em uma mulher de carne e osso com poderes. A partir daí, os meninos - que deram à mulher o nome de Lisa (Kelly LeBrock), -  irão se deparar com situações que os ajudarão a encontrar a principal razão dos seus conflitos.

O roteiro escrito por John Hugues tem uma boa liga e talvez peque pelo excesso de absurdos da trama. Algumas piadas funcionam mais do que outras. Mas nada que comprometa o resultado como um todo, já que a proposta é embarcar na doideira científica para demonstrar o caos interior dessa fase tão difícil na vida de cada um de nós que é a adolescência. Sobra até uma dose de ironia na trama: na cena em que Lisa, após dar uma lição de vida para os garotos,  percebe um artefato importante da guerra fria surgindo do chão e em sua ponta pousa uma pomba branca.

Todo o trabalho de direção de arte condiz bem com a época. Assim como os figurinos, a maquiagem exagerada e os cabelos por vezes espalhafatosos da belíssima Kelly LeBrock. A trilha sonora também vai pelo mesmo caminho.

Não tem nenhuma atuação de destaque dos atores. É curioso ver o "Homem de Ferro"  Robert Downey Jr. novinho e sem ser creditado com o Jr.

Mulher Nota 1000 aborda temas importantes no bom estilo de Hughes e estimula a criação do nosso "Frankenstein interior" que pode dar certo. Nota 8


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Top 20 2014

1  - O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street) de Martin Scorsese
2 - Relatos Selvagens (Relatos Salvajes) de Damián Szifron
3 - Boyhood - Da Infância à Juventude (Boyhood) de Richard Linklater
4 - Garota Exemplar (Gone Girl) de David Fincher
5 - Ela (Her) de Spike Jonze










6 - Oslo, 31 de Agosto (Oslo, 31. August) de Joachim Trier
7 - Ninfomaníaca - Volume 1 (Nymphomaniac : Volume I) de Lars von Trier
8 - Ninfomaníaca - Volume 2 (Nymphomaniac : Volume II) de Lars von Trier
9 - O Lobo Atrás da Porta de Fernando Coimbra
10 - Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis) de Ethan Coen e Joel Coen










11 - 12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave) de Steve McQueen
12 - Sob a Pele (Under the Skin) de Jonathan Glazer
13 - Guardiões da Galáxia (Guardians Of The Galaxy) de James Gunn
14 -  O Home Duplicado (Enemy) de Denis Villeneuve
15 - Noé (Noah) de Darren Aronofsky










16 - Frozen - Uma Aventura Congelante (Frozen) de Chris Buck e Jennifer Lee
17 - Se Eu Ficar (If I Stay) de R.J. Cutler
18 - Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive) de Jim Jarmusch
19 - O Abutre (Nightcrawler) de Dan Gilroy
20 - O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel) de Wes Anderson

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A Culpa é das Estrelas (The Fault In Our Stars)


Olá macacada! É com imensa satisfação que, após um longo período "no casulo" (mais uma vez), uma nova metamorfose aconteceu e eis que a borboleta retorna cada vez mais encorpada e precisando exercitar para uma polinização mais frequente. E a polinização de hoje, consiste em um filme que é uma febre entre o público juvenil, baseado no livro homônimo de John Green: A Culpa é das Estrelas (2014).

O filme aborda um tema bastante recorrente em várias obras: o câncer e suas consequências em personagens que se apaixonam. (Não, não estou cometendo spoiler, já que essa informação você vai encontrar em qualquer sinopse do filme). Confesso que fiquei bastante surpreso após a exibição, pois esperava uma história repleta de clichês, forçando o choro à qualquer custo. E isso não me ocorreu, tirando uma ou duas cenas no máximo. (Não, eu não sou insensível). É óbvio que o filme trata de um assunto espinhoso e não tem como ficar indiferente à tudo que se vê. No entanto, o grande mérito é justamente a leveza como é transmitida toda essa tragédia. Palmas para o roteiro de Scott Neustadter e Michael H. Weber que conseguem dar uma excelente fluidez ao filme. Roteiro esse muito bem sublinhado pelas fortes atuações de seus protagonistas que tornaram tudo mais crível.

A trama nos apresenta Hazel (Shailene Woodley), uma jovem com câncer em estado terminal que aparentemente se conforma com sua condição. Seu pai (Sam Trammel) e principalmente sua mãe (Laura Dern), tentam de todas as formas, trazer um frescor à vida que resta à Hazel. Ambos conseguem convencê-la a frequentar um grupo de apoio. Lá, entre tantas pessoas em condições parecidas, ela conhece Augustus (Ansel Elgort), um rapaz sem uma perna e que se encontra momentaneamente com a doença controlada. Augustus (também conhecido como Gus) se apaixona loucamente por Hazel logo de cara. Essa por sua vez, fica com um pé atrás devido à problemática da sua morte iminente e do consequente sofrimento de quem a cerca. Aos poucos, Gus vai apresentando novas perspectivas à Hazel seja apresentando livros com mensagens positivas, seja através de atitudes que fazem Hazel refletir sobre a vida. Há momentos encantadores com os dois em cena e divertidíssimos. Principalmente quando entra em cena o amigo de Gus, Isaac (Nat Wolff), um rapaz com problemas crescentes na visão, mas que traz um alívio cômico em algumas cenas. Aliás, o filme oscila muito bem entre o humor e a tragédia. Sempre que um personagem esbanja algum tipo de alegria, algo o faz lembrar da situação real e daí a tristeza retorna com força. mas como eu comentei anteriormente, o filme transmite leveza em meio ao turbilhão de problemas sem apelar para a emoção barata. A busca dos personagens por recursos para aliviar o peso de suas condições é algo bem recorrente. O momento de maior emoção pra mim foi o ensaio do funeral de um dos personagens que me deixou com um nó na garganta daqueles. E tudo fica bem dimensionado com o trabalho da montagem e do roteiro. Sem falar nas excelentes atuações. Outro que não posso deixar de citar aqui é o personagem Peter Van Houten (Willem Dafoe), um escritor bastante aborrecido e amargurado com a vida, que tem importância na trama.

O diretor Josh Boone consegue realizar um trabalho simples com a câmera sem utilizar muitos recursos. Gostei de algumas tomadas, principalmente o plano inicial e final com a câmera se aproximando do rosto de Hazel informando algo fundamental à essência de toda obra. Senti falta de uma maior ousadia nesse quesito.

A Culpa é das Estrelas tem seus problemas, mas suas virtudes acabam pesando mais. Encerro esse texto com uma simples e pequena palavra: Ok. Nota 7




quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Top 20 2013

1 - Dentro da Casa (Dans la maison) de François Ozon
2 - Django Livre (Django Unchained) de Quentin Tarantino
3 - A Grande Beleza (La Grande Bellezza) de Paolo Sorrentino
4 - Antes da Meia-noite (Before Midnight) de Richard Linklater
5 - Um Estranho no Lago (L'inconnu du lac) de Alain Guiraudie
 
  
6 - Tabu de Miguel Gomes
7 - Azul é a Cor Mais Quente (La Vie d'Adèle - Chapitres 1 et 2) de Abdellatif Kechiche
8 - Gravidade (Gravity) de Alfonso Cuarón
9 - Frances Ha de Noah Baumbach
10 - Killer Joe - Matador de Aluguel (Killer Joe) de William Friedkin

11 - Amor (Amour) de Michael Haneke
12 - Barbara de Christian Petzold
13 - O Mestre (The Master) de Paul Thomas Anderson
14 - Blue Jasmine de Woody Allen
15 - Os Suspeitos (Prisoners) de Denis Villeneuve 

16 - O Som ao Redor de Kleber Mendonça Filho
17 - A Caça (Jagten) de Thomas Vinterberg
18 - Segredos de Sangue (Stoker) de Park Chan-wook
19 - Invocação do Mal (The Conjuring) de James Wan
20 - É o Fim (This is the End) de Seth Rogen e Evan Goldberg


sábado, 7 de setembro de 2013

Hitchcock



Já se passaram três semanas que eu assisti Hitchcock (2012) e por isso, posso deixar de comentar algo importante sobre o filme. Vou tentar puxar ao máximo da memória, a impressão deixada logo após assistir à obra.

Cinebiografias em sua maioria, dão sempre panos pra manga, no que diz respeito à apresentação dos retratados. Chovem reclamações sobre exageros ou ausência de certos fatos importantes relacionados à personalidade daquele determinado personagem. Aqui não foi diferente. No entanto, talvez pelo fato de retratar o meu diretor favorito de todos os tempos, eu achei o saldo final bem positivo. Com todas as suas falhas, o filme dirigido por Sacha Gervasi, tem uma fluidez deliciosa que faz a hora passar rápido.

O roteiro baseado no livro Alfred Hitchcock And The Making Of Psycho, narra como o própio título do livro aponta, os bastidores de Psicose, um dos melhores filmes do mestre e um dos mais importantes da história do cinema. Além de ser objeto de estudo para muitos cineastas.

O filme começa com Alfred Hitchcock (Anthony Hopkins) na premiere de seu último filme: o também importante Intriga Internacional acompanhado da sua esposa e companheira de sempre Alma (Helen Mirren). Nesse período, o diretor estava à procura de um trabalho mais ousado e diferente daquilo que havia feito até então. A busca acabou assim que ele leu o livro Psicose de Robert Bloch. Daí pra frente companheiros, começa uma batalha diária do diretor para convencer o estúdio e os censores à realizar o filme a seu bel prazer. Nesse meio tempo, verificamos alguns distúrbios no relacionamento do gordinho com sua esposa e até uma certa desconfiança de que Alma lhe estivesse colocando chifres. No entanto, percebemos a importância da sua esposa em todo o processo de criação do filme. que cresce no seu belíssimo final.

É claro que a maquiagem de Hopkins ajuda bastante na caracterização do personagem. Porém, achei sua atuação bem discreta. Quem está muito bem no filme é Helen Mirren. Já Scarlett Johansson aparece apenas em cenas pontuais interpretando Janet Leigh, assim como James D'Arcy que está a cara de Anthony Perkins. Uma grande surpresa é a presença de Ralph Macchio (Karatê Kid) interpretando o roteirista Joseph Stefano.

Hitchcock pode ter seus problemas, mas como já havia dito, sou fã de carteirinha do diretor e o filme me pegou pelo coração. Nota 8.