segunda-feira, 3 de junho de 2013

Quatro Amigas e um Casamento (Bachelorette)


Surfando na onda de Se Beber não Case e Missão Madrinha de Casamento, vem esse Quatro Amigas e um Casamento (2012), filme de estréia da diretora Leslye Headland, que também assina o roteiro. Tive que citar os outros filmes, pois todos tem o casamento como pano de fundo e situações absurdas envolvendo pessoas chapadas.

Na trama, as quatro amigas irão se encontrar novamente por causa do casamento de uma delas. As três descobrem que Becky (Rebel Wilson) a menos popular da turma, vai se casar justamente com o cara que era o mais cobiçado na época do colégio. Esse fato, causa uma certa ponta de inveja entre as meninas que ainda são convidadas para serem damas de honra no casamento. Regan (Kirsten Dunst), Gena (Lizzy Caplan) e Katie (Isla Fisher) aceitam o convite e passam a noite anterior usando drogas e discutindo sobre solteirice. Após algumas inconsequentes brincadeiras, elas se metem em uma enrascada atrás da outra que podem aniquilar com o casamento de Becky. Daí pra frente é uma corrida contra o tempo para colocar tudo nos eixos.

Se for para comparar com Missão Madrinha de Casamento, esse perde feio. Em vários momentos, não achei graça alguma e o roteiro parece ficar meio perdido. Achei que o filme ganha certo fôlego quando chega perto do final. Mas aí já é tarde demais.

Apesar do título nacional citar as quatro amigas, o foco está nas três encalhadas. Todas muito bem interpretadas por sinal.  Achei a personagem de Rebel Wilson pouco explorada na trama.

Temos também a participação de James Marsden, que tem a fama de na maioria das vezes interpretar personagens que não acabam bem na história. E aqui de certa forma, esse fato se repete, apesar de uma cena quente com a personagem de Kirsten Dunst.

Minha esposa também não achou lá aquelas coisas e no final das contas, tivemos a mesma opinião sobre o filme. Nota 5.




sexta-feira, 31 de maio de 2013

Drácula (Dracula)


Quando assisto filmes bem antigos, tento me transportar mentalmente para a época em que ele foi realizado e exibido. Isso tudo com o objetivo de chegar próximo à sensação da platéia naquela época. Então eu paro e penso: se hoje, aquele olhar do Drácula interpretado por Bela Lugosi, me deu arrepios, imagine o efeito na platéia na década de 30?

Drácula (1931), dirigido pelo grande Tod Browning, consegue transmitir um clima bem sinistro já no seus minutos iniciais, onde um jovem e corajoso advogado (Dwight Frye), está disposto a visitar um misterioso castelo na Transilvânia, para tratar de um contrato com o morador daquele local: o Conde Drácula (Bela Lugosi). Este por sua vez, transforma o moço em uma espécie de criado que o auxilia na mudança para a cidade de Londres através de uma embarcação onde todos os tripulantes acabam sendo mortos. Após chegar à cidade, Drácula vai aos poucos fazendo suas vítimas com o intuito de saciar a sua sede de sangue humano, até se deparar com o Dr. Van Helsing (Edward Van Sloan), um grande conhecedor de vampiros.

O grande trunfo desse filme é sem sombra de dúvidas, a atuação de Bela Lugosi. Mesmo com seu sotaque diferenciado, é difícil encontrar outro ator que personifique melhor a imagem do vampirão. Outro que merece aplausos é Dwight Frye. É incrível a mudança no rosto do seu personagem após ser amaldiçoado pelo conde maligno. Frye também participou de vários filmes importantes da Universal naquela época.

A ausência da trilha sonora em diversos momentos contribui para que o filme fique ainda mais assustador ao meu ver. É que na época, o cinema ainda estava se adaptando à sua fase sonora e muitas salas só conseguiam passar filmes mudos. Por isso foram feitas duas versões desse filme. Uma delas sem som nenhum, justamente para ser exibida nessas salas.

O grande problema do filme reside do meio para o final, onde tudo acontece com muita pressa. Fiquei meio decepcionado quando chegou ao fim.

Mesmo assim, vale a pena conhecer essa obra que deve ter feito muita gente arrepiar os cabelinhos do pé e se cagar de medo com o olhar de Bela Lugosi dizendo: "Ouça-os: as crianças da noite. Que doce música eles fazem. Não acha?" Nota 7.


segunda-feira, 27 de maio de 2013

Férias Frustradas (National Lampoon´s Vacation)


Eu que esperava uma comédia familiar e bem besteirol, acabei me surpreendendo positivamente com este Férias Frustradas (1983). Também nem poderia ser diferente já que na direção temos Harold Ramis e quem assina o roteiro é ninguém mais ninguém menos que o nosso queridíssimo John Hughes que deixou muitas saudades. A história do filme é baseada justamente em um conto escrito pelo própio Hughes anos antes.

A trama apresenta uma tradicional família americana se preparando para viajar quilômetros de Chicago, até um parque que fica na Costa Oeste do país: o famoso Walley World. Logo de cara, percebemos que as coisas não vão dar muito certo. O carro que seria utilizado pela família na viagem teve que ser trocado por um outro inferior. É só o começo de uma sequência de absurdos que irão surgindo à cada quilômetro rodado. Nem vou entregar muita coisa para não estragar as surpresas. O que posso adiantar aqui é que o filme se trata de um road movie que passa bem longe do politicamente correto. A principal intenção dessa viagem é aproximar os membros dessa "família comercial de margarina". Com o tempo percebemos o quanto essa primeira impressão era só fachada.

Chevy Chase ficou marcado por esse filme, assim como a bela Beverly D´Angelo, interpretando o pai e a mãe respectivamente. Outra figurinha fácil nesse tipo de filme, é Anthony Michael Hall. Há também participações especiais do saudoso John Candy e Eugene Levy que é sempre encontrado em American Pie.

Dá vontade de pegar um carro e ir até Walley World. Diversão garantida. Nota 8.



terça-feira, 21 de maio de 2013

O Incrível Homem que Encolheu (The Incredible Shrinking Man)


E eis uma pequena jóia. Uma preciosidade que muitos ainda não conhecem ou só ouviram falar. A primeira vez que soube da existência de O Incrível Homem que Encolheu (1957), foi em uma conversa com os amigos Rick Martins e Lafa. Ambos sempre elogiavam esse filme e é claro que ele entrou de imediato na minha lista de filmes que eu deveria assistir antes de morrer. Depois de muito tempo, tive a oportunidade de gravá-lo no Telecine Cult e somente ontem, pude assistí-lo no final da noite acompanhado de cervejas e Cebolitos. Que maravilha.

Estava esperando um trash bem divertido e me vem uma história com uma mistura de drama, ficção científica, suspense e ainda sobra um tempinho também para a reflexão. Ou seja, quem ainda não viu, assista ontem.

É bom lembrar que o filme se passa numa época em que as pessoas ainda apresentavam os sintomas da segunda grande guerra e avistavam o início de uma Guerra Fria. Tudo contribui para um melhor entendimento sobre a condição do homem diante das suas estúpidas criações e as consequências desastrosas ao usufruir indevidamente dos elementos que a natureza fornece. É claro que posteriormente a própia natureza vai cobrar o seu preço e muitas vezes paga quem nada tinha a ver com isso.

Na trama, Scott Carey (Grant Williams) está feliz da vida ao lado da sua esposa Louise Carey (Randy Stuart) em um passeio de barco. Enquanto a moça entra na cabine para pegar uma cerveja para o marido, o barco atravessa uma estranha nuvem que entra em contato com Scott. Depois de algum tempo, o rapaz percebe que suas roupas estão ficando cada vez mais largas e seu tamanho diminuindo cada dia mais. O médico não consegue diagnosticar e em seguida o seu caso é enviado para um renomado laboratório. Lá descobrem a causa do seu encolhimento: uma forte exposição à inseticida e radiação atômica. Nesse momento ele se lembra da tal nuvem branca do barco. A partir daí meus amigos, começa uma corrida dos médicos para tentar reverter esse caso, enquanto Scott vai diminuindo à cada dia que passa.

É nesse momento que o filme se torna sensacional. Vemos todo o drama do personagem e de sua esposa que não desiste em nenhum momento em ajudar Scott (que à essa altura está morando em uma casinha de brinquedo). Depois de um tempo, sua luta é pela sobrevivência. Animais inofensivos se transformam em predadores perigosos.

Confesso que não conhecia o trabalho do diretor Jack Arnold. Agora fiquei curioso pra assistir outro filme dele que tenho aqui em DVD: O Monstro da Lagoa Negra.

Outro trabalho primoroso são os efeitos especiais. É claro que vistos nos dias de hoje podem parecer ridículos. Mas lembrem-se que a década é de 50 e os recursos eram bem menores.

O final ao meu ver, fecha com chave de ouro essa obra prima do cinema fantástico. Recomendo não somente o filme, mas também o Cebolitos e a cerveja.  Nota 10.


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Uma Família em Apuros (Parental Guidance)


Depois de assistir alguns filmes densos, nada mal equilibrar com uma comédia leve do tipo que passava nos bons tempos da Sessão da Tarde. Se bem que Uma Família em Apuros (2012) tem lá os seus momentos dramáticos também.. Já que aborda justamente a dificuldade de relacionamento entre membros de uma família.

Na história, Artie (Billy Crystal) é um locutor desempregado que junto com sua esposa (Bette Midler), são chamados pela filha (Marisa Tomei) para tomar conta dos seus três netos, enquanto esta planeja viajar com seu marido (Tom Everett Scott). Tudo muito bonito, até descobrirmos que a família anda afastada por um bom tempo e que o avós nem se lembram direito da fisionomia das crianças. Isso tudo ocorre principalmente por causa da divergência na educação dos avós mais liberais e o método moderno e politicamente correto utilizado pelos pais.

É claro que a espinha dorsal do filme será o atrito entre essas gerações que irão gerar algumas situações hilárias envolvendo principalmente o personagem de Billy Crystal. com as três crianças.

Por falar em Billy Crystal ele está ótimo e com uma química excelente e até surpreendente com a Bette Midler. Os melhores momentos são quando ambos estão em cena com os pequenos. Marisa Tomei está maravilhosa como sempre.

O diretor Andy Fickman entrega aqui um trabalho bacana, mas que poderia ser ainda melhor. Digo isso porque do meio para o final, o filme vai perdendo um pouco a sua graça. Sem falar que o sono apareceu do nada e confesso até ter dado pequenas cochiladas. E nem foi por causa da previsibilidade do roteiro. Achei que no final, os conflitos dos personagens foram solucionados muito rapidamente e aí a história descarrilou de vez.

Fica a bonita mensagem sobre como lidar com as diferenças em prol de um bom convívio familiar. Nota 6.



sábado, 18 de maio de 2013

A Caça (Jagten)


O diretor dinarmaquês Thomas Vinterberg é um dos principais nomes responsáveis pelo movimento Dogma 95, junto com Lars von Trier. Criado na época em que o cinema comemorava seu centenário, esse movimento consistia em uma série de regras que deveriam ser seguidas à risca pelos cineastas ao filmar seu filmes. A principal intenção era de realizar obras menos comerciais, se afastando ao máximo da receita hollywoodiana. Com isso, Vinterberg estreou com Festa de Família, que é até hoje seu filme mais festejado.
Depois de muitos anos, sem obter o mesmo nível da sua estréia, ele chega com A Caça (2012), um filme extremamente bem realizado e desconcertante.

A pedofilia já foi retratada diversas vezes no cinema e em outras artes como a literatura por exemplo. É um tema que sempre mexe muito com a gente pela gravidade de toda a situação. No entanto, Vinterberg joga sua lupa nas consequências de uma falsa acusação feita pela menina Klara (Annika Wedderkopp) à Lucas (Mads Mikkelsen), seu professor da creche. Lucas que já passava por problemas devido ao divórcio e a perda da guarda de seu filho, ainda não fazia idéia do que estaria por vir. Em um momento de brincadeira do professor com outras crianças, Klara, avança na direção de Lucas e rouba-lhe um beijo na boca. Posteriormente, Lucas chama a atenção da criança, informando que aquilo ali não estava certo. A menina por sua vez, fica imensamente magoada e após a aula, informa à diretora da creche que não gosta de Lucas por causa do seu pipi duro (sendo que em um momento anterior do filme, vemos Klara ouvindo comentários pornográficos do seu irmão com um amigo, após estes observarem fotos de filmes pornôs). A diretora é óbvio, fica aterrorizada com essa declaração da menina, e daí pra frente meus amigos, a vida de Lucas vai se transformando num verdadeiro inferno. A história da falsa acusação toma proporções gigantescas, onde os habitantes daquela região querem condenar o professor de qualquer jeito, sem levantar nenhuma desconfiança de que a criança poderia estar mentindo. Nós, meros espectadores, sofremos com Lucas, pois temos absoluta certeza de que ele é inocente.

A obra levanta questões importantíssimas, e esse filme deveria ser assistido, por diretores de escola, juízes, assistentes sociais, etc... eu diria até por todos. Ele aborda o quanto uma mentira, mesmo vindo de uma criança, pode devastar com a vida de uma pessoa inocente. Lucas, mesmo provando sua inocência, ficará marcado para sempre com esse absurdo de história. Por outro lado,entendemos algumas atitudes daquelas pessoas da comunidade. É só se imaginar naquela situação. Em quem você confiaria? Pois é...

O roteiro do própio diretor com Tobias Lindholm é tenso e muito bem amarrado. Até mesmo no seu final, onde li algumas críticas negativas.

O filme cresce cada vez mais na minha memória e a nota não poderia ser outra. Realmente meu brother Celo Silva tem razão: um dos melhores filmes do ano. Nota 10.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry)


Cheguei cansado em casa depois do trabalho e com uma vontade imensa de assistir qualquer coisa do Woody Allen. Fiquei na dúvida se veria ou não um filme, pois estava quase dormindo no sofá. De repente coloquei Desconstruindo Harry (1997) e como mágica o sono simplesmente desapareceu. Uns três dias depois numa conversa sobre esse fato com meu amigo Renan Nogueira, que também é fã do diretor, fiz o seguinte comentário: "Woody Allen me tira o sono". O mesmo Renan sugeriu que eu colocasse essa frase no blog. E eu ainda completei: "Tira o sono no melhor sentido, é claro". Lembro que assisti Noivo neurótico, Noiva nervosa pela primeira vez acordando na madrugada e ligando a televisão no Corujão. Depois não dormi mais até o filme acabar.

Desconstruindo Harry reúne todos os ingredientes que um fã do diretor conhece e muito bem. O Harry (Woody Allen) do título é um escritor que se vê num furacão de problemas após lançar seu último livro quase autobiográfico, onde ele cita acontecimentos reais com parentes, ex - mulheres e amigos. Estes por sua vez ficaram completamente aborrecidos em como foram retratados na obra e procuram Harry para tirar alguma satisfação. Com isso, à princípio o autor não tem nenhuma companhia para uma homenagem que irá receber da faculdade onde foi expulso quando era mais jovem. Me lembrei de Morangos Silvestres do Ingmar Bergman, que por sinal é um dos diretores prediletos de Allen.

O filme é um recorte de várias características de Harry, e do própio Woddy Allen, é claro. Ele apresenta inclusive aquilo que é retratado no livro com seus diversos personagens. Há um certo momento em que o personagm do livro se encontra com o personagem real. Puro deleite. Nesse momento me lembrei de outro filme do diretor: A Rosa Púrpura do Cairo.

Talvez um dos poucos aspectos negativos no filme, seja o excesso de personagens não sobrando tempo para explorá-los um pouco mais. É impressionante a quantidade de atores famosos que adoram trabalhar com o diretor, mesmo sem receber um salário astronômico. Nesse filme temos Demi Moore,Robin Williams,
Stanley Tucci,Amy Irving, Kirstie Alley,Tobey Maguire,Jennifer Garner,Elisabeth Shue,Billy Crystal e até uma participação minúscula do Paul Giamatti.

Recomendo principalmente para os fãs do diretor incluindo meu amigo Renan Nogueira. Nota 8.