sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Circo (The Circus)



Eis mais uma obra encantadora que eu tive o previlégio de rever hoje. O Circo (1928) mantém toda a sua graça e confirma toda a genilidade de Charles Chaplin que além de diretor, é produtor,roteirista,ator e compositor.


A primeira vez que assisti essa obra foi quando aluguei em VHS na saudosa locadora Sétima Arte de Bonsucesso onde conheci o meu amigo Marcelo (olha ele aí de novo) do blog um ano em 365 filmes que trabalhou um tempo por lá. E mesmo depois de tanto tempo a maravilhosa sensação de assistir essa obra permanece intacta.


Mesmo não sendo tão aclamado quanto outros filmes do diretor, O Circo está entre os meus favoritos. Como não se encantar com cenas do personagem vagabundo (Charles Chaplin) fugindo da mula? Ou aquela em que ele se atrapalha todo tentndo ajudar o mágico? Tem a cena da corda bamba e a interação com os macacos... enfim são muitas imagens marcantes.


Mas claro que o filme não é só comédia. Como toda obra de Chaplin, a história também tem uma carga emocional muito forte, e isso é bem representado na forma como os funcionários do circo são tratados e na relação do vagabundo com uma funcionária (Merna Kennedy) que é filha do dono do circo.


Na trama, o vagabundo é perseguido pela polícia após ser confundido com um assaltante de carteiras (Steve Murphy) e acaba por entrar em pleno espetáculo de um circo onde vira a grande atração. É imediatamente contratado para trabalhar no local e lá se apaixona pela filha do autoritário dono (Al Ernest Garcia). Daí pra frente dá-lhe confusão e trapalhadas.


É impressionante como Chaplin consegue ir do riso ás lágrimas com uma equalização perfeita e sem perder o ritmo da trama. Seus filmes tem alegrias e tristezas, assim como a vida de todos nós.


Uma das grandes obras desse fantástico realizador. Nota 10.






quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Pele que Habito (La Piel que Habito)



Olá ilustres frequentadores desse humilde blog. Estou aqui novamente para informá-los que o B-Cine voltou após um longo período de sono e está mais vivo que nunca. Gostaria antes de mais nada, agradecer á vocês queridos leitores e especialmente ao meu amigo Marcelo do blog um ano em 365 filmes que foi um grande incentivador para que esse espaço permanecesse vivo. Esse post é dedicado á ele.

Inclusive foi lendo a crítica do Marcelo em seu blog que me empolguei em pegar o trem e o metrô para o Estação Sesc Laura Alvim em Ipanema para assistir esse novo petardo de Pedro Almodovar.

A Pele que Habito (2011) é na minha opinião, o melhor Almodovar desde Fale com Ela (meu favorito) e discordo de algumas críticas que falam da frieza do filme ou que o diretor modificou demais o seu estilo. A cena final desmorona tudo isso que foi dito e achei tudo puro Almodovar.

Antonio Banderas interpreta o cirurgião plástico Roberto Ledgard que mantém uma paciente (Elena Anaya) enclausurada em sua casa e que serve como cobaia para a formulação de uma nova pele mais resistente. Não dá para entregar mais a história para não estragar as surpresas que estão por vir. Através de um flashback, a trama misteriosa vai aos poucos desvendando seus personagens e respondendo as perguntas do espectador.

Outra atriz que está muito bem é Marisa Paredes,sempre presente nos filmes do diretor e que aqui interpreta uma misteriosa funcionária do cirurgião.

Antonio Banderas voltou a trabalhar com o diretor depois de 21 anos e seu personagem parece ter inspirado a edição de José Salcedo com cortes precisos de dar gosto.

Uma obra densa e arrebatadora. Com certeza é forte candidata ao top 20 do final de ano. Nota 9.

domingo, 26 de junho de 2011

Cisne Negro (Black Swan)



Já estamos em Junho e até o momento, não fui ao cinema assistir um lançamento sequer. A falta de tempo e dinheiro contribuíram para a minha ausência. Somente agora é que estou conseguindo assistir alguns filmes lançados esse ano que já chegaram às locadoras.

Com Cisne Negro (2010) dando sopa na prateleira, peguei para assistir essa maravilha dirigida pelo talentoso Darren Aronofsky. Ele que parece sempre levar os seus personagens ao extremo. Aqui não é diferente.

O foco é na personagem Nina (Natalie Portman), uma ótima e dedicada bailarina que se torna a favorita para encenar o papel principal (Cisne Branco e Negro) da peça O Lago dos Cisnes. O coreógrafo (Vincent Cassel) responsável pelo espetaculo acha que Nina é pefeita na composição do Cisne Branco, mas não tem a sensualidade e a malícia necessária para interpretar com pefeição o Cisne Negro, e com isso, ela corre o risco de perder a sua tão sonhada oportunidade. Essa busca pela perfeição da personagem acaba se tornando um tormento para Nina. Soma-se à isso toda a pressão do coreógrafo, problemas na relação com a mãe supeprotetora (Barbara Hershey)e a chegada de uma nova bailarina (Mila Kunis) que possuí todo talento para interpretar o Cisne Negro. Daí para frente meus amigos, é uma viagem aterradora na mente de Nina onde realidade e pesadelo se misturam. Assim como acontece com outros filmes do Aronofsky, é impossível sair indiferente após o seu desfecho.

Eu ficaria o dia inteiro para citar as inúmeras qualidades dessa magnífica obra. Natalie Portman mereceu todos os prêmios que ganhou. Ela foi tão fundo na composição da sua personagem que acabou tendo um relacionamento com seu verdadeiro coreógrafo durante os ensaios. Mila Kunis que interpreta a sua rival está belíssima em todos os sentidos. Ambas entregam uma cena para lá de excitante no meio do filme. Outra que arrebenta é a veterana atriz Barbara Hershey. Temos também uma rápida participação de Winona Ryder.

A fotografia de Matthew Libatique e a música de Clint Mansell são outro destaques que não passam despercebidos e ajudam a compor o clima pertubador do filme.

Adorei também as cenas com os espelhos que são colírios para os olhos.

Não fiquei tão desnorteado como no final de Requiem para um Sonho, mas é impossível sair imune à dor de Nina.

Uma obra inesquecível e um forte candidato para entrar na lista de melhores do ano. Nota 9

domingo, 19 de junho de 2011

A Malvada (All About Eve)



Olá queridos visitantes do blog e apreciadores de um bom filme. Hoje vou comentar sobre um daqueles clássicos imperdíveis que tive o privilégio de assistir no conforto do meu sofá. A Malvada (1950) é de fato um grande filme e mereceu os diversos prêmios que recebeu, incluindo aí o oscar de melhor filme. E olha que na disputa tinha a obra prima Crepúsculo dos Deuses que continua sendo meu preferido.
Mas falando em A Malvada, é impressionante como o filme cresce em minha mente mesmo já se passando mais de uma semana que assisti. Tudo parece se encaixar perfeitamente na obra dirigida por Joseph L. Mankiewicz, onde ele descortina os bastidores do teatro e todas as suas mazelas.

A trama nos apresenta a atriz Eve Harrington (Anne Baxter)recebendo um prêmio. Através de flashback conhecemos melhor a trajetória de Eve, que se apresentou como fã da experiente atriz de teatro Margo Channing (Bette Davis) e que posteriormente acabou se tornando sua secretária. Com o decorrer da história, presenciamos toda a sujeira que uma pessoa é capaz de fazer para ascender na carreira. Outros personagens também são importantíssimos como do produtor Addison De Witt (George Sanders), do escritor Lloyd Richards (Hugh Marlowe) e da sua esposa Karen Richards (Celeste Holm).

Os atores dão um show à parte. O que dizer da atuação de Bette Davis? Repetir que é uma das melhores atrizes de todos os tempos é pouco para exprimir o que ela faz no filme. Simplesmente fenomenal. Anne Bexter é outra que dá um show. Só vendo para crer E não podemos esquecer George Sanders com seu importante personagem. De bônus, ainda temos Marilyn Monroe no início da carreira em uma pequena participação. Linda como sempre, dizem que a atriz despertou ciúmes na esposa de Sanders (a também atriz Zsa Zsa Gabor) que invadiu o set de filmagens. Destaco também a ótima presença da atriz Thelma Ritter (que trabalhou com Alfred Hitchcock em Janela Indiscreta).

Engraçado como em algumas capas do DVD, dá a impressão que a malvada do títlo é a personagem da Bette Davis, ainda mais se levarmos em conta que a atriz ficou famosa por interpretar várias vilãs no cinema.

O filme influenciou diversos outros e até mesmo algumas novelas brasileiras como Celebridade por exemplo.

Tem o mesmo número de indicações ao Oscar de Titanic: 14 no total. Venceu em 6.
Confesso que inicialmente a nota para o filme seria 8. Porém nos últimos dias a obra tem evoluído tanto nas lembranças das imagens e de alguns diálogos que me fez repensar na avaliação. Vendo por esse lado, foi até bom ter demorado um pouco para realizar a postagem.

Não poderia deixar de citar a extraordinária cena final do filme que fecha com chave de ouro esse clássico do cinema. Ah, a nota é claro... Nota 9.

domingo, 5 de junho de 2011

O Vencedor (The Fighter)



Apesar de não ser um fã de boxe, gosto muito dos filmes onde esse esporte aparece como pano de fundo. Touro Indomável, Menina de Ouro e Rocky - Um Lutador são alguns exemplos e esse O Vencedor (2010) é mais um para engrossar a lista. Achei apenas que faltou um pouco mais de emoção na obra, mas por outro lado me identifiquei bastante com o personagem Micky (Mark Wahlberg) onde o que ele mais deseja é que as pessoas ao seu redor convivam em paz umas com as outras.

O filme conta a história verídica do já citado Micky e de seu irmão mais velho Dicky (Christian Bale), um ex-lutador que se encontra afundado nas drogas e que também é seu treinador. Quem controla os negócios da família com unhas e dentes é a mãe (Melissa Leo) que tem ainda mais sete filhas. Micky sempre se sentiu na sombra de seu irmão e com isso, sua carreira anda meio estagnada. Até conhecer Charlene (Amy Adams), uma atendente de bar que se torna sua namorada. Ela o incentiva a trocar de treinador e empresário para tentar alavancar sua carreira no boxe.

A grande força do filme sem dúvidas está na interpretação dos atores. Mark Wahlberg não é visto como um dos grandes, mas aqui ele se encontra na medida. Me tornei um grande fã de Amy Adams no filme Encantada que além de bonita é uma atriz maravilhosa e aqui mais uma vez ela brilha na pele de uma mulher forte. Mas quem merece aplausos é mesmo Melissa Leo e Christian Bale. Não é à toa que eles faturaram o Globo de Ouro e o Oscar desse ano como ator e atriz coadjuvante. Bale (assim como fez em O Operário) emagreceu vários quilos para compor seu personagem viciado em crack e entrega mais uma bela atuação. Aliás falando em emagrecer, esse ainda é um dos meus objetivos para esse ano, mesmo já estando no mês de Junho. Enfim...antes tarde do que nunca.

Voltando ao filme, a competente direção é de David O. Russell, conhecido por trabalhos mais independentes.

A trilha sonora também é bacana. Adorei ouvir Saints da banda The Breeders e Good Times Bad Times do Led Zeppelin. Outro momento marcante é quando toca I Started a Joke dos Bee Gees envolvendo dois personagens.

No final, os verdadeiros Micky e Dicky dão o ar da graça. Nota 8.

domingo, 22 de maio de 2011

Procura-se Susan Desesperadamente (Desperately Seeking Susan)



Procura-se Susan Desesperadamente (1985) é um típico clássico da Sessão da Tarde que ainda era inédito para mim. Tinha visto alguns trechos do filme na época, e só conseguia me lembrar do visual da Madonna e da música Into the Groove que faz parte da trilha sonora. Essa inclusive é uma das minhas canções favoritas da cantora/atriz e fiquei muito feliz em ouví-la num show que a material girl fez aqui no Rio de Jeneiro em 2008 no Maracanã.

Mas voltando ao filme, a história nos apresenta Roberta (Rosanna Arquette), uma dona de casa entediada com seu casamento que fica intrigada com um anúncio nos classificados do jornal de um rapaz à procura de sua namorada com o nome Susan (Madonna). Ela fica tão curiosa em conhecer o casal, que decide ir ao ponto de encontro dos dois e logo de cara, se identifica com o jeitão extrovertido da moça (que na verdade é uma golpista). A partir daí, uma série de confusões envolvendo uma jaqueta (com aquele símbolo encontrado na nota de 1 dólar), um objeto valioso e a identidade de Roberta, se tornam a mola propulsora da história.

O filme conta com a presença de Aidan Quinn interpretando o amigo do namorado de Susan e de John Turturro em rápida aparição.

A direção ficou por conta de Susan Seidelman que realizou também alguns episódios de Sex & the City.

Uma obra bacana e que representa muito bem o que foi a década de 80, seja através das músicas ou dos looks extravagantes dos seus personagens. Nada além disso. Nota 07

domingo, 8 de maio de 2011

12 Homens e uma Sentença (12 Angry Men)



Quanto vale a vida de uma pessoa? Somos realmente capazes de julgar corretamente o nosso próximo? Essas e outras questões surgiram após assistir 12 Homens e uma Sentença (1957), filme de estréia do diretor Sidney Lumet que faleceu recentemente.

É impressionante como Lumet utiliza um pequeno espaço (a sala de um júri) para contar em pouco mais de 90 minutos, uma história aparentemente simples, mas que nos leva muito além.

Os 12 homens do título precisam decidir através de votação, se um jovem (acusado de assassinar seu própio pai e podendo ser levado à pena de morte), é culpado ou inocente. Após ouvirem os relatos das testemunhas e advogados, todos os jurados aparentam estar certos da decisão . Quer dizer, quase todos. Apenas o jurado número 8 (Henry Fonda), rema contra a maré e traz à tona, a possibilidade do rapaz ser inocente, apresentando argumentos convincentes e apontando algumas contradições nos relatos das testemunhas. A partir daí, a história nos carrega para dentro da mente desses personagens, nos mostrando as personalidades e diferenças de cada um. Vários diálogos são travados tornando o clima cada vez mais tenso. Isso sem falar no ventilador daquela sala que não funciona deixando o local ainda mais quente.

Gostei de todos no elenco que além de Henry Fonda também tem Martin Balsam (O detetive Arbogast de Psicose), Lee J. Cobb e Robert Webber.

Destaque gigantesco para o roteiro de Reginald Rose e a belíssima fotografia de Boris Kaufman que também trabalhou em Sindicato de Ladrôes.

Um filme recomendadíssimo. Principalmente para aqueles orgulhosos que se julgam os donos da razão. Nota 10